“JIU-JITSU DE COMBATE – NOVA EMBALAGEM PARA PRODUTO VELHO OU UMA VERDADEIRA INOVAÇÃO?”, POR DIOGO TRIGO

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Jiu Jitsu de Combate. Nova embalagem para produto velho ou uma verdadeira inovação?

 

Um dos aspetos normalmente criticados no Jiu Jitsu desportivo é a desvirtuação da arte marcial e da sua componente de auto-defesa. Desde a armadilha do fora-de-jogo no futebol, às celebrações efusivas de qualquer contacto a pedir pontos no Tae Kwon Do, a partir do momento em que um desporto tem regras, é certo e sabido que os competidores vão fazer o possível para tentar manobrá-las a seu favor. Como qualquer competidor que já tenha perdido por uma vantagem e amarração durante 4 minutos o pode atestar, o Jiu jitsu não é exceção.

 

“Este formato segue os mesmo princípios do EBI, mas regressa às raízes tradicionais do Jiu Jitsu/Vale tudo, em que os atletas podem golpear o adversário com a mão aberta quando no chão. O resultado é um combate mais técnico e sério, já que sem haver pontos, cada progressão de posição tem de facto uma penalização física, e ao mesmo tempo, obriga o atleta defensivo a abrir a defesa da submissão para defender dos golpes.”

A maior parte das regras focadas em pontos atribuem-nos de acordo com um racional de progressão da posição tendo em conta a possibilidade de golpear o adversário. Assim sendo, um atleta que derrube o seu adversário tem a gravidade do seu lado, podendo por isso golpear a partir de cima. Pontos. Um atleta que passe a guarda consegue golpear mais livremente. Pontos. Um atleta que monte consegue controlar melhor o adversário enquanto o golpeia. Pontos. E por aí fora. A questão é precisamente que, na ausência dos golpes, os atletas jogam apenas com o que diz nas regras: se podem arriscar menos chamando para a guarda e ganhando uma vantagem de tentativa de raspagem, é muito mais seguro do que tentar progredir a posição.

 

A primeira fase de resposta ao progresso do jogo foi uma alteração das regras. As competições focadas em sub only tentaram forçar o aspeto marcial, ignorando a questão de pontos, mas infelizmente o que se observa é que sem fator diferencial quando não acontece a submissão, ou nos arriscamos a ter combates sem limite de tempo (como o soporífero primeiro embate entre Keenan Cornelius e Gordon Ryan, em que a submissão aconteceu perto da hora e meia de combate), ou então em terminar em empate (como nas 8 lutas do cartaz principal do Polaris 3). O que podem fazer então os torneios que precisam de facto de determinar um vencedor? Ou usar juízes (que irão no fundo atribuir “pontos” mentais, mesmo que não oficiais), ou usar um método de desempate, como a morte súbita do EBI.

 

Mas mesmo a estas novas regras os competidores adaptaram-se. 13 edições passadas no EBI começamos a assistir à tendência outra vez de jogar seguro, não arriscar, fechar-se na defesa para sobreviver até à morte súbita, onde se tenta então conseguir vencer ou por submissão numa posição para a qual nada fizeram por merecer, ou mesmo por fuga mais rápida.

 

Temos então agora uma nova evolução das regras: o Jiu Jitsu de Combate. Este formato segue os mesmo princípios do EBI, mas regressa às raízes tradicionais do Jiu Jitsu/Vale tudo, em que os atletas podem golpear o adversário com a mão aberta quando no chão. O resultado é um combate mais técnico e sério, já que sem haver pontos, cada progressão de posição tem de facto uma penalização física, e ao mesmo tempo, obriga o atleta defensivo a abrir a defesa da submissão para defender dos golpes. É um “desporto” adequado quer a veteranos de MMA que não querem mais lutar, para jiu jiteiros a fazer a transição para MMA, ou mesmo para atletas que gostam de manter o seu jiu jitsu mais “honesto”.

 

A Ahua abraça o Jiu-Jitsu em Almada no próximo Sábado (18):  http://jiujitsuportugal.com/2017/11/12/arte-suave-e-a-ahua-famosa-marca-portuguesa-de-handplanes-junta-desporto-de-ondas-ao-jiu-jitsu/

 

Os eventos até agora realizados têm tido sucesso perante a crítica, atletas, e público.. Aguardamos com curiosidade para ver como se adaptam os atletas às regras, e de que modo poderão estas ser “jogadas” a seu favor.

 

Por Diogo Trigo