ADCC 2017, POR DIOGO TRIGO

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Diogo Trigo faz a análise aos “jogos olímpicos das lutas corpo-a-corpo”. Foto: Bjj Heroes

 

 

O Mundial do ADCC, ou de seu nome oficial Submission Wrestling World Championship organizado pelo Clube de Combate de Abu Dhabi, vai ter lugar na Finlândia, no próximo fim de semana.

 

Descrito por muitos como os “jogos olímpicos das lutas corpo-a-corpo”, este evento que tem lugar de dois em dois anos. Apesar da maior parte dos vencedores serem sempre oriundos do mundo do jiu jitsu, representantes de outras artes já alcançaram o ouro, e o evento de 2017 conta com 96 atletas oriundos de diferentes artes marciais, do jiu jitsu e do judo à luta livre, da greco-romana ao judo, passando pelo SAMBO ou MMA, a disputarem o título em categorias de peso (5 masculinas e 2 femininas), absoluto, e lutas-casadas. Apesar de, ao contrário do que se possa pensar, não ter nenhum tipo de uniforme obrigatório, o torneio é tradicionalmente associado ao estilo sem kimono, já que todos os atletas tendem a optar por vestir o equipamento sem pano.

 

De uma forma geral as categorias de peso vão de 11 em 11 kg para os homens ( -66, -77, -88, -99 e +99kg) e distinguem apenas -60kg ou mais para as senhoras, e incluem 16 competidores (8 no caso feminino): 8 qualificados pelos torneios regionais, o campeão em título, e 7 competidores convidados pela organização. Apesar de lesões e conflitos de agendamento levarem a que alguns favoritos não marquem presença, este torneio é em alguns casos a única oportunidade de ver certos atletas a competir neste tipo de regras. Únicas e não consensuais, nomeadamente a ausência de pontos na primeira parte do combate, a penalização de chamar para a guarda, ou a legalidade de todas as submissões (incluindo o bate-estacas), são por vezes uma dor de cabeça para alguns dos competidores mais habituados a um estilo de regras mais tradicionais.

 

O facto de haver menos divisões do que noutras promoções, leva a que o nível médio de cada divisão seja mais competitivo. Nos pesos mais leves normalmente assistimos a um jogo solto muito rápido, em que as fugas são capitalizadas por imediatamente transitar para uma posição ofensiva. Nos pesos mais pesados temos por vezes embates de titãs em que uma força imparável embate num objeto imóvel digno de tremores de terra, quais semi-deuses do Olimpo no pancrácio.

 

O vencedor do ouro no absoluto terá a oportunidade de desafiar o campeão da Super-Luta na próxima edição, uma espécie de linhagem de campeão dos campeões. Este atual campeão é André Galvão, que vai à procura do inédito terceiro ouro nas lutas-casadas, e o seu oponente será o campeão do absoluto em 2015, Cláudio Calasans.

 

Mesmo parecendo haver em algumas das divisões um par de favoritos à vitória (pelo menos no papel), temos divisões bem equilibradas e renhidas. Temos, apesar de tudo, de realçar o grupo da morte dos -88 kg, onde o assunto pia mais fino. Mesmo se ignorarmos os 8 qualificados para o torneio, todos deles dignos de mérito e que não vêm apenas marcar presença, parece-nos de facto que qualquer um dos oito convidados poderia sem surpresas alcançar o ouro: Rómulo Barral, Rustam Chsiev, Leandro Lo, Gordon Ryan, Dillon Danis, Keenan Cornelius, Pablo Popovitch ou Xande Ribeiro são um grupo de nomes que tem de por qualquer fã do desporto a ansiar por dia 22.

 

Se isto não fosse suficiente para fazer até o mais tradicionalista dos leitores a dar uma oportunidade a um “torneio de submission”, juntam-se ao torneio e super-luta já descritas duas super-lutas de lendas, a primeira opondo o bi-campeão ADCC Renzo Gracie a Sanae Kikuta, e a segunda pondo o também bi-campeão ADCC Leo Vieira frente a frente com a estrela da UFC Chael Sonnen. Mais do que motivos suficientes para juntar os amigos, fazer um churrasco, ligar o ecrã gigante e fazer uma mega-festa de 48 horas a assistir ao torneio.

 

Por Diogo Trigo