ANTEVISÃO: POLARIS 5, POR DIOGO TRIGO

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Polaris 5

 

A maior promotora de Jiu Jitsu europeia está de volta dia 19 de Agosto. Desta vez vestiu o fato de gala e deslocou-se para Londres, para a Arena Indigo O2 que já está praticamente esgotada, onde irá apresentar possivelmente o seu melhor cartaz até agora, que será transmitido para Portugal e para o mundo na plataforma da UFC Fight Pass.

 

Cartaz principal

 

A luta principal será o muito esperado reencontro entre Garry Tonon e Dillon Danis. Garry Tonon tem estado em grande ultimamente, e não precisa de apresentações. Marcou presença em todos os eventos da promoção, não sendo a primeira vez que é cabeça de cartaz, o que é mais do que merecido, já que o seu embate com Rousimar “Toquinho” será das melhores lutas que já alguma vez tivemos a oportunidade de experienciar. Apesar de não ser invicto, tendo nos últimos dois anos sido finalizado por António “Cara de Sapato” e perdido por pontos para DJ Jackson e Yuri Simões, a verdade é que se trata de um atleta que compete praticamente todos os meses, contra adversários muitas vezes bastante maiores. Alia uma capacidade de fuga enorme (ver por exemplo o embate com Vinny Magalhães ou, mais recentemente, Shinya Aoki) com uma opção nuclear que mantém sempre na manga que vira a maré do jogo em situação de aperto: a sua poderosa chave de calcanhar invertida (luta com Gilbert “Durinho” ou novamente, Aoki). Muito versátil quer de pé quer no chão, a atacar e a defender, na guarda ou no topo, é consensualmente um dos atletas mais entusiasmantes de ver competir.

 

Quanto a Danis, não se deixem impressionar com a personagem gabarola e desmiolada que apresenta nas redes sociais, pois de facto trata-se de um dos melhores competidores da sua geração e por algum motivo Conor McGregor o foi buscar como parceiro/treinador de chão. Faixa-preta de Nick Brooks, também ele é bastante versátil, tendo ganho ouros mundiais com e sem pano, tendo marcado presença no último ADCC, onde caiu para… Garry Tonon. Já o vimos em ação também na Copa Pódio, e derrotou nomes como Murilo santana, AJ Agazarm, Jackson Sousa, Josh Hinger, Joe Lauzon ou Edwin Najmi. Atualmente com uma série de 3 derrotas consecutivas que não refletem o seu valor real (perdeu para Luiz Panza e Lucas Barbosa nos mundiais e Jake Shields no SUG4), confirmaria o seu estatuto como um dos melhores da atualidade se derrotasse o seu arqui-rival Tonon, especialmente a um mês do ADCC 2017.

 

O co-main event opõe também dois veteranos da Promoção. Jake Shields, faixa-preta de César Gracie , regressa após o seu embate com AJ Agazarm no P3. Desde então tem alternado entre o MMA e o jiu jitsu, tendo tido sucesso nos dois campos, tendo recentemente finalizado o ex-campeão da UFC Lyoto Machida e derrotado Dillon Danis. É um senhor veterano nestas lides, que já medalhou no ADCC há 12 anos atrás e que já teve títulos de MMA na Elite XC, Shooto , e Strikeforce. Tem o estilo de jogo associado ao MMA, com bom jogo de pé e pressão do topo e não é necessariamente o maior finalizador do mundo, mas costuma conseguir impor o seu ritmo e conseguir muitas decisões/pontos. O seu adversário será Daniel Strauss. Faixa-preta de Maurício Gomes e veterano de eventos como EBI ou ADCC, com apenas 27 anos e faixa-preta há 3, Strauss é já dos mais laureados competidores e instrutores britânicos. Favorece também ele o jogo do topo, mas não deverá ter o wrestling desenvolvido o suficiente para o impor perante Shields, sendo de esperar por isso que baseie o seu jogo na guarda, nomeadamente de ganchos. Tem tido problemas de cardio à medida que o assalto evolui, por isso a sua melhor hipótese de vitória será a finalização nos primeiros minutos de combate.

 

O combate seguinte será entre veteranos da UFC, agora ambos reformados. “One Punch” Brad Pickett foi dos primeiros e mais sonantes nomes londrinos na promoção de MMA, deverá jogar em casa neste embate. Apesar de conhecido pelo seu jogo de trocação, tem um wrestling bastante sólido e dez das suas vitórias de MMA surgiram por submissão. Com uma energia e tenacidade incomparáveis, será um bom desafio para Phil Harris. Também ele um lutador que favoreceu a submissão para ganhar os seus combates, com 13 das suas 22 vitórias a surgirem desse modo, teve mais dificuldade a chegar aos grandes palcos. Retirado do MMA, há 3 anos que se tem dedicado exclusivamente ao circuito de submissão, tendo ganho títulos locais e regionais, incluindo no NAGA. Tem ultimamente favorecido as finalizações por chaves de perna, facto que não escapou despercebido a Pickett, que tem incluído este currículo no seu treino.

 

Aos grandes palcos regressa também Caol Uno. Vencedor de títulos de MMA na UFC e Shooto, e tendo chegado à final do ADCC já em 1999 (onde perdeu para Jean-Jacques Machado), este lutador veterano venceu por finalização mais de metade das suas 32 vitórias em MMA. Aos 42 anos continua bastante competitivo, tendo nos últimos anos vencido 4 combates e perdido 2. Volta agora ao grappling para um confronto entre lendas, enfrentando um nome histórico do jiu jitsu, Vitor “Shaolin” Ribeiro. 4 anos mais novo, estee faixa preta da Nova União foi tri-campeão mundial (de 1999 a 2001) e medalhou no ADCC 2003, tendo recentemente ganho ouro também no mundial de masters. No MMA segurou o cinturão no Cage Rage e no Shooto, tendo finalizado 12 das suas 20 vitórias por submissão. Já o vimos por duas vezes na promoção, tendo derrotado Nakamura Daisuke no P2 e perdido por decisão dos juízes para o seu antigo rival Tereré no P4.

 

O combate seguinte será entre Oliver Taza e Ross Nicholls. Esta luta será uma revanche de um embate que aconteceu em Maio, no Tuff Invitational. Na altura, Taza, que viria a ganhar o torneio, submeteu Nicholls com uma chave de calcanhar em 6 minutos. Taza é um membro do DDS e qualificou-se este ano para o ADCC, tendo já marcado presença no EBI, onde não teve muito sucesso. Está à procura de estabelecer o seu nome junto dos grandes alunos de John Danaher (isto é, Garry Tonon, Eddie Cummings e Gordon Ryan), estando numa boa posição de estabelecer 2017 como o “seu ano”. À sua frente terá então novamente Ross Nicholls.  O faixa preta de Roger Gracie, é normalmente especialista no formato de regras da IBJJF, conforme atestam os seus dois títulos de campeão europeu, mas para o reencontro tem se preparado para as regras de subonly, nomeadamente as chaves de perna, tendo visitado frequentemente a escola 10th Planet London (como de resto também Brad Pickett)

 

A próxima luta do cartaz principal seguirá o formato da anterior, opondo um nome grande mundial com um grande valor nacional: AJ “Leão” Agazarm e Lloyd Cooper, respetivamente. O falastrão faixa-preta da Gracie Barra vem de uma série de maus resultados, tendo perdido 8 dos seus últimos 10 combates, mas todos sabemos que os leões feridos são os mais perigosos. AJ não é dos atletas que mais finalizam os combates, mas o seu poder físico e o seu wrestling tornam-no um dos atletas mais difíceis de submeter do circuito, às vezes à custa do seu próprio corpo. A testar precisamente a sua tenacidade estará Lloyd Cooper. Este faixa-preta tentou fazer pressão para que a luta tivesse lugar sem kimono, onde poderia usar as suas favoritas chaves de perna, mas o campeão mundial sem pano AJ negociou no sentido contrário, apesar de Cooper ter ganho ouro no europeu em Lisboa este ano. Lloyd Cooper admite à partida que estará em desvantagem de pé, mas que nada disso fará diferença em termos de finalização, esquecendo-se talvez que AJ é famoso por levar os combates à decisão dos juízes.

 

Samantha Cook é representante da Checkmat, mas curiosamente gosta mais de fazer um jogo de guarda, que usou para ganhar por 4 e 2 vezes o ouro europeu com e sem pano, respetivamente, bem como o ouro mundial com e sem kimono, tendo-se qualificado este ano para a actual edição do ADCC. A sua adversária será a faixa-preta do Gracie Barra, Vanessa English. Esta estranguladora já ganhou três ouros europeus enquanto faixa castanha e roxa, e um título mundial e outro europeu sem pano enquanto faixa-roxa.

 

Várias vezes ao longo da história o Reino Unido foi invadido (e derrotado) pelos Vikings, e desta vez os promotores querem uma hipótese de redenção para os locais. A invasão é encabeçada por Tommi Pulkkanen. Bronze mundial sem pano, campeão europeu no mesmo formato e vencedor de vários torneios locais, quer no Reino Unido quer na sua nativa Finlândia, procura agora uma vitória no maior palco do continente. Mas a sua tarefa não será fácil, já que à sua frente terá um dos melhores jovens competidores britânicos, Bradley Hill. Faixa-preta da Gracie Barra sob Bráulio Estima, já por 3 vezes medalhou nos mundiais, tendo sido campeão europeu sem pano por duas vezes. Tem começado a fazer agora os circuitos de shows de submissão, sendo portanto essencial para os seus objetivos fazer um bom papel nesta oportunidade.

 

Cartaz preliminar

 

O cartaz preliminar é encabeçado por uma luta que poderia ser o evento principal de muita boa promoção: Masakazu Imanari contra Valmyr Neto. Faixa preta de Marco Barbosa, há mais de uma década que Imanari é um dos grandes nomes do MMA japonês. O original sapateiro auto-didacta dá o nome a vários movimentos, que usou para finalizar nomes como Jorge Gurgel ou Yoshiro Maeda e para garantir títulos na Cage Rage e na DEEP. Tem, porém um registo negativo no Polaris, tendo perdido para Garry Tonon e Nathan Orchard. Desta vez terá à sua frente estará um (adoptado) talento local, Valmyr Neto. Faixa-preta de Walter Broca, instrutor no Reino Unido há quase uma década, o também lutador de MMA terá à sua frente uma prova dura, mas que lhe trará uma notoriedade que até agora lhe escapou.

 

A próxima luta será um novo embate duro entre um finlandês e um britânico. O faixa castanha Tuomas Simola é um jovem de 27 anos com o poderio físico e explosividade do seu lado. Bi-campeão europeu sem pano enquanto faixa-roxa e com cinturões do NAGA, tenta assegurar o seu lugar ao sol na maior oportunidade da sua carreira. Mas a opô-lo estará o londrino e faixa castanha de Eddie Bravo, Jamie Scott. Scott terá do seu lado a experiência e maturidade, que alia ao que chama “a força de velho”, e que usará para mostrar que apesar do seu velho adágio “Toda a gente com quem vou competir tem um vídeo de highlights, os meus únicos vídeos são de CCTV”, por vezes um velhote durão é o suficiente para resolver o assunto. Um sapateiro que favorece o jogo de guarda (borracha),  é um competidor duro que despreza o jogo seguro e que se preocupa apenas com garantir a finalização a todo o custo, o que nos leva a apostar que esta luta não vá ser um exemplo de “arte suave”.

 

O cartaz irá apresentar ao mundo também dois pouco conhecidos valores locais. O faixa-castanha da Carlson Gracie London de apenas 21 anos River Dillon já ganhou ouros locais e europeus. À procura de mostrar o seu valor a um público maior, terá como adversário o também faixa-castanha e faixa-preta de judo Miha Perhavec. A treinar actualmente com Darragh O’Conaill, este esloveno já medalhou ouro no europeu NoGi e já o vimos anteriormente no cartaz preliminar do P4, onde venceu por chave de calcanhar.

 

A honra de abrir as hostilidades da noite caberá a uma luta feminina, entre duas competidoras que dividem entre si um currículo com praticamente todos os títulos de que se possam lembrar. A finlandesa Elvira Karppinen foi promovida este ano a faixa-castanha por Eddie Bravo e é a campeã europeia NoGi em título (já alcançou esse ouro duas vezes). Venceu a primeira qualificatória europeia do ADCC e tem também um cinturão do NAGA. Irá enfrentar a galesa, campeã europeia do ADCC, Ffion Davies. Faixa preta de Judo, foi promovida este ano a faixa-castanha pelo seu instrutor Darragh O’Conaill. Com uma curta incursão vitoriosa pelo MMA, já alcançou por duas vezes o ouro mundial sem pano, e no europeu, bem como prata no mundial de kimono. Recentemente vimo-la no EBI 12, onde se bateu de igual para igual com a campeã mundial em título Talita Alencar.

 

Por Diogo Trigo