EBI 12 – A VEZ DAS SENHORAS, POR DIOGO TRIGO

ilima-lei macfarlane

 

EBI 12 – A vez das senhoras

 

* Lê outros artigos da coluna ‘Open Mat’ aqui: http://jiujitsuportugal.com/category/open-mat-a-coluna-de-diogo-trigo/

 

No mesmo fim de semana em que Cris Cyborg foi coroada na UFC 214 a mulher mais perigosa do mundo, 24 horas depois teve lugar mais um evento do Eddie Bravo Invitational, desta feita exclusivamente no feminino. Apesar de, como tem acontecido consistentemente, termos tido substituições de última hora por lesão, o torneio ofereceu na mesma 16 das melhores peso-mosca no mundo, com um cartaz muito eclético que ofereceu de tudo, entre batalhas técnicas, confirmações, surpresas, lutas chatas, submissões relâmpago e combates longos na morte-súbita.

 

Na ronda de abertura (oitavos de final), a campeã mundial em título Talita Alencar teve as honras de abrir as hostilidades contra uma muito agressiva Ffion Davies, que chegou a tomar-lhe as costas e a ameaçar o estrangulamento. Porém, nos últimos minutos regulamentares, Talita que tinha estado até então apenas a preocupar-se em sobreviver, reverteu a posição e venceu ela mesmo por mata-leão.

 

No segundo combate, Rachel Cummings usou a sua vantagem de  arcaboiço e comprimento de pernas para atacar a partir da guarda e conseguir trancar Crystal Demopoulos numa chave de braço na posição de dead orchard.

 

Seguiram-se 4 combates que foram à morte súbita que resultaram na eliminação de algumas das favoritas. Kayla Paterson perdeu por mata-leão para Gabi McComb, Gabby Romero finalizou a campeã europeia Kristina Barlaan  com um cross-face/mata-leão ao fim de largos minutos de controlo nas costas, a jovem Katherine Shen finalizou a laureada Pati Fontes com chave de braço, a igualmente adolescente Erin Blanchfield venceu Livia Gluchowska com mata-leão.

 

Se estes longos combates quebraram ligeiramente o ritmo do torneio, Lila Smadja atiçou novamente o lume, ao finalizar Olympia Watts em apenas 23 segundos no tempo regulamentar com uma muito técnica gravata.

 

O combate imediatamente a seguir foi igualmente entusiasmante e manteve os espectadores de pé, com Nikki Sulivan a finalizar Fiona Watson com um estrangulamento tesoura.

 

Nos quartos de final Talita Alencar mostrou porque é que era, à partida, a favorita à vitória, passando várias vezes a guarda de Cummings e atacando várias submissões, tendo eventualmente conseguido finalizar com uma chave de braço a apenas 10 segundos do fim do tempo regulamentar.

 

No combate seguinte McComb conseguiu controlar e impor o seu ritmo, tendo tomado as costas de Romero, mas não a conseguiu finalizar no tempo regulamentar, tendo precisado de ir à morte-súbita para conseguir finalizar com a chave de braço.

 

Erin Blanchfield e Katherine Shen encaixaram muito bem no jogo uma da outra, em que o jogo de pressão e passagem conseguiram eventualmente vencer o jogo da guarda, tendo Blanchfield conseguido finalizar por kimura muito perto do fim do tempo regulamentar.

 

Lila Smadja pareceu que ia ter mais problemas neste combate, tendo sido raspada e montada logo nos primeiros 15 segundos, mas ainda antes do primeiro minuto ter terminado conseguiu escapar e trancar uma finalização por chave de calcanhar.

 

Na primeira semi-final tivemos um jogo muito agressivo e físico, com Gabi McComb a fazer um jogo mais tático e defensivo à procura da sorte grande na morte-súbita e Talita Alencar a atacar com tudo o que tinha. Eventualmente a estratégia de McComb viria a dar frutos, já que na última ronda da morte-súbita, quando estava em séria desvantagem temporal, conseguiu trancar o triângulo de pernas à volta do tronco de Talita e pura e simplesmente segurar a posição durante os minutos que precisava para vencer por fuga mais rápida, eliminando assim a campeã mundial em título.

 

Na outra semi-final Erin Blanchfield mostrou uma maturidade e experiência pouco usuais numa rapariga de 18 anos, com um jogo de topo e pressão muito sólidos, revelando a preferência para o controlo kimura do topo. Usou então este controlo para conseguir finalizar na chave de braço de Smadja a 30 segundos de fim do tempo regulamentar.

 

A final opôs então duas adolescentes.

 

Erin Blanchfield manteve o seu estilo, tendo conseguido fazer o torneio todo a partir de uma posição de topo. Os primeiros 6 minutos consistiram por isso num combate técnico de greco-romana, com Blanchfield a impor mais o seu jogo e a controlar o tatami. Eventualmente conseguiu tentar passar a guarda de McComb para chegar à sua favorecida posição de 100 kilos, mas não foi bem sucedida e o tempo regulamentar terminou com McComb a tentar uma chave de braço de último recurso, que também não resultou. Fomos então à morte-súbita.

 

Na primeira ronda Erin Blanchfield tomou as costas, que eventualmente transitou para a truck, que usou para tentar um banana split e de que McComb conseguiu fugir. Na sua ofensiva, McComb começou também nas costas, tendo tentado uma chave cervical bem agressiva, mas Blanchfield conseguiu escapar.

 

Na segunda ronda Blanchfield começou na posição de ataque ao braço, e conseguiu de facto finalizar. Sabendo que precisava de matar em menos tempo do que o que a sua adversária tinha demorado, McComb começou nas costas e imediatamente partiu para o crossface que escavou e escavou e escavou a tentar forçar a submissão, mas infelizmente para si não o conseguiu fazer nos 19 segundos que tinha para finalizar o combate, o que resultou na coroação de Erin Blanchfield como a primeira rainha do EBI peso mosca, e na agradável quantia de 20.000 dólares no bolso.

 

Jiu Jitsu de combate

 

Tal como aquando da última edição, cada ronda do torneio normal foi intercalada com uma luta de jiu jitsu de combate. Mais uma vez pareceu-nos ser um sucesso, esta forma mista entre jiu jitsu e MMA, resultando, de facto, numa luta ligeiramente mais trapalhona, mas muito mais solta e livre.

 

Na primeira ronda, Ilima-lei Macfarlane teve de ir à morte-súbita para conseguir vencer Brooke Mayo, tendo transitado das costas para o braço para eventualmente finalizar no triângulo.

 

No outro combate, Celine Haga também levou Amy Montenegro à morte-súbita. Depois de Montenegro ter ganho a luta de MMA entre as duas salva pelo gongo quando estava efetivamente inconsciente por mata-leão, desta vez não houve decisão dos juízes que a salvassem e Haga acabou mesmo por vencer com o estrangulamento das costas.

 

A final foi curiosamente menos dinâmica do que outros combates, com Macfarlane a fazer um jogo de guarda fechada que Haga tentou frustrar e passar. Eventualmente Macfarlane conseguiu avançar para uma posição de triângulo a partir da guarda borracha, que evoluiu para uma pegada kimura. Haga ainda conseguiu resistir e tentar escapar durante um par de minutos, mas eventualmente submeteu, coroando assim a invicta lutadora da Bellator Ilima-lei Macfarlane como a primeira campeã de Jiu jitsu de combate, levando para casa 2.500 dólares.

 

Por Diogo Trigo