EBI12 – A COROAÇÃO DA WONDER WOMAN, POR DIOGO TRIGO

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EBI12. A coroação da Wonder Woman.

 

Após 11 torneios centrados nos homens, está na altura das senhoras serem o foco das atenções no próximo EBI. E que torneio esse será! Se anteriormente a promoção teve algumas dificuldades em assinar alguns dos nomes sonantes masculinos da IBJJF, as senhoras não se fizeram rogadas e apresentam-se ao serviço de armas em riste. O cartaz apresentado, que poderá não ser final, alia como de costume valores consagrados com novas promessas.

 

O nome a ter atenção no torneio será Talita Alencar. Actual campeã mundial da IBJJF no seu primeiro ano em faixa-preta (foi promovida no pódio o ano passado ao ganhar ouro mundial enquanto faixa-castanha) regressa à promoção, desta feita com uma estrelinha dourada à frente do nome. Esta faixa-preta de Julio Cesar Pereira e Theodoro Canal, antiga membro da GF Team e actual representante da Alliance já ganhou títulos mundiais com e sem kimono, sendo também a campeã mundial no-gi faixa-preta em título. Já participou em duas luta-casadas no EBI, incluindo uma derrota por fuga mais rápida por apenas 2 segundos para Lila Smadja, mas tem uma vitória sobre Smadja noutra competição. Terceiro combate tira-teimas?

 

Um obstáculo constante no caminho de Alencar nas suas conquistas mais recentes (mundial e pan-americano) foi a guardeira Kristina Barlaan. Esta faixa-preta de Caio Terra treina actualmente com Gustavo Dantas, e é uma veterana extremamente laureada, tendo sido campeã Europeia faixa-preta em 2016, tri campeã pan-americana na faixa-castanha, prata e bronze mundial sem pano faixa-castanha. A temporada de 2016/17 correu bem a esta atleta, que terminou na posição #14 do ranking da IBJJF, com uma prata no pan-americano e o bronze no mundial.

 

Outra medalhada do mundial deste ano a concurso é Tammi Musumeci. Parceira de treino do irmão e campeão mundial Mikey, com quem começou a treinar com 6 anos e cedo se revelou uma criança prodígio, esta faixa-preta de Emyr Bussade chegou rapidamente às ligas grandes, e tem vitórias sobre nomes grandes como Mackenie Dern (duas vezes, incluindo uma submissão) ou Laurence Fouillat. Foi campeã mundial da faixa azul à castanha, tendo uma prata na faixa-preta em 2014. Foi campeã mundial sem pano em 2014, e ganhou ouro pan-americano em 2014 e 2017. Esta atleta também terminou a temporada no top 20 da IBJJF, especificamente em #19.

 

Jena Bishop é representante da Gracie Humaitá e faixa-preta de Royler Gracie. Tem várias medalhas nos pan-americanos e nos mundiais, incluindo um ouro faixa-castanha no mundial de 2013, e terminou a temporada da IBJJF em #60. Tem um jogo forte a partir da guarda, o que poderá ser bastante útil numa competição onde os atletas que favorecem a pressão do topo ainda não conseguiram chegar ao ouro.

 

Imediatamente a seguir no ranking, o número #61 é a representante da checkmat Pati Fontes. Esta faixa-preta de Lucas Leite é conhecida pelo seu jogo de guarda, que lhe deu títulos mundiais com e sem pano, incluindo ouro faixa-preta sem kimono em 2015. Fontes terá também contas a assentar com Alencar, que a eliminou logo na primeira ronda do mundial deste ano.

 

De New Jersey chega Fiona Watson a concurso. Faixa-preta de Marcinho Bittencourt, esta habitué do circuito IBJJF tem uma prata nos pan-americanos sem kimono em 2016, que contribuiu para fazer parte do top 100 da IBJJF (#96), mas é também experiente neste tipo de espetáculos de submissão, tendo participado recentemente no Fight to Win Pro 31.

 

A representar a Gracie Barra estará Tássia Pimenta, faixa-preta de Rômulo Barral. Terá uma boa hipótese para vingar uma derrota para Talita Alencar por chave de perna no  2 Gi or Not 2 Gi invitational.

Erin Herle é faixa-castanha de Marcelo Garcia e treina actualmente com Cobrinha.  Também ela faz parte do top da IBJJF, sendo o #25 das faixas-castanhas adulta, e alcançou recentemente prata no pan-americano e bronze no mundial. Tendo aprendido com dois dos maiores mestres actuais do desporto, terá muito provavelmente uma boa prestação, mesmo contra faixas-pretas de topo.

 

Lila Smadja é faixa castanha de Eddie Bravo e veterana do EBI, tendo ganho uma luta casada para Talita Alencar no EBI5. Campeã do Gracie Worlds, será provavelmente a atleta mais habituada às regras a concurso, mas não temos a certeza que consiga dominar posicionalmente os combates com alguns dos nomes de topo, o que apesar de tudo sabemos não ser necessariamente crucial para alcançar o sucesso neste torneio. As suas melhores hipóteses de vitória poderão então surgir de submissão por chave de perna ou de uma vitória na morte-súbita.

 

Com apenas 18 anos e no primeiro ano de faixa-roxa, Erin Blanchfield é uma aposta em novos valores. Ainda a estabelecer-se, tem ganho experiência em torneios como o NAGA, onde recentemente alcançou duplo ouro com e sem pano, os pan-americanos sem kimono, onde ganhou em peso e absoluto, ou o Grappling Industries. A frequentar também a academia de Renzo Gracie (com o resto do DDS), poderá ser ela a surpresa da noite?

 

A faixa preta britânica Vanessa English foi a primeira britânica a ganhar um título mundial adulto (faixa-roxa em 2013). Ganhou também ouro no mundial sem pano e por três vezes chegou ao topo do pódio no europeu. É a presença Europeia no torneio, poucas semanas antes do Polaris 5, onde tem também uma super-luta marcada.

 

Gabriella Romero foi recentemente promovida a faixa preta por Mark Bradford e de Alberto Crane. Lutadora de MMA, todas as vitórias são por submissão. Habituada a formatos de lutas-casadas, como o Fight to Win, será interessante ver como se comporta neste torneio.

 

Olympia “Casca Grossa” Watts é faixa castanha de Draculino, no Gracie Barra Texas. Muito raçuda e técnica, medalhou recentemente no pan-americano. Um nome a começar a estabelecer-se, tem hipótese agora de enfrentar alguns dos maiores nomes da arte.

 

Rachael Cummins é uma artista de submissão e lutadora de MMA, com a maior parte das vitórias no cadastro a surgir por submissão. Já anteriormente vimos lutadores de MMA com boas técnicas de chão a chegar longe no torneio, poderá encaixar bem com algumas das competidoras com técnica mais tradicional.

 

Semelhante a outros eventos, a última vaga para o torneio foi para uma aluna da escola 10th Planet que ganhou um torneio qualificatório interno para poder marcar presença, como aconteceu com Nathan Orchard ou o semi-finalista do EBI 10 Ricky Lule. A vaga foi para a jovem Katherine Shen, de apenas 18 anos, mas com 10 anos de experiência de Jiu jitsu. Aluna do finalista e veterano do EBI Richie Martinez, que a promoveu a faixa-roxa imediatamente após a vitória na qualificatória, Katherine admitiu-nos estar relativamente chocada com ter conseguido a qualificação para um torneio desta envergadura. Consciente do valor das adversárias com que se poderá defrontar, Katherine disse-nos que irá trabalhar na sua defesa e recuperação posição durante o tempo que falta até ao torneio, já que as oponentes serão sempre de topo, e que qualquer chance para finalizar apenas surgirá com muita paciência e mestria a procurar a oportunidade certa.

 

Combat Jiu Jitsu

O formato de Jiu Jitsu de Combate faz a sua segunda aparição, com 4 senhoras a lutarem num torneio de jiu jitsu que permite golpes com a palma da mão quando um dos competidores está no chão.

 

Conforme seria de esperar, as competidoras são todas veteranas de MMA especializadas em submissões.

 

A havaiana Ilima-Lei Macfarlane é lutadora invicta da Bellator e metade das suas 6 vitórias surgiram por submissão. Esta faixa-roxa do 10th Planet treina em San Diego na academia dos irmãos Martinez, e tem uma guarda muito técnica que alia a um wrestling e jogo de pressão.

 

A norueguesa Celine Haga é lutadora da Invicta FC. Começou a treinar com o histórico Joachim Hansen, treina agora na Jackson Wink MMA. Veterana de MMA com 24 combates e 7 vitórias por submissão, o seu último combate foi uma derrota por decisão para Amy Montenegro que terminou o combate… inconsciente. Haga conseguiu pôr Montenegro a dormir com um estrangulamento, mas esta foi eventualmente salva pelo gongo e veio ganhar a decisão. Terá agora a hipótese de vingar essa “derrota”.

 

Amy Montenegro tem um registo de MMA de 8-2, incluindo 3 vitórias por mata-leão. Faixa-roxa da Gracie Barra, também ela concorda que a vitória sobre Haga não foi a mais esclarecedora de todas, e também ela fez pressão para haver uma segunda luta.

 

A última competidora é Brooke “The Bully” Mayo. Lutadora amadora de MMA (5-1), fez recentemente a sua estreia profissional na Bellator. Para além de MMA, também compete em jiu jitsu, actual faixa-roxa, e conseguiu um bronze nos pan-americanos enquanto faixa-azul. É uma competidora raçuda e muito atlética.

 

O EBI 12 terá lugar a 30 de Julho, em LA, e poderá ser acompanhado no UFC Fight Pass.

 

Por Diogo Trigo