EBI 11 – LONGA VIDA AO REI, POR DIOGO TRIGO

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EBI 11 – Longa vida ao Rei

 

Já vários comentadores tinham descrito este padrão: uma nova técnica que “vai revolucionar o Jiu Jitsu” aparece e toma a comunidade toda de assalto.

 

50/50, berimbolos, legdrag, chaves de perna.

 

Durante uns tempos, todos os comentadores, atletas e instrutores fazem uma corrida às armas centrada numa técnica pouco apreciada por outras escolas. Depois de um sucesso estrondoso, os adversários estudam essa técnica e aprofundam as suas defesas, equilibrando novamente o jogo. E assim regressamos a um equilíbrio dinâmico.

 

O poder dissuasor atómico das chaves de perna tem vindo assim a perder gradualmente relevância, face à vulgarização da sua defesa. A aparente “nova” moda são as pegadas kimura, não apenas como finalização, mas também como raspagem, tomada de costas, passagem ou forma de isolar o braço, como esteve bem evidente no torneio EBI da noite passada.

 

À 11ª edição e 13º troféu, ainda só 5 competidores de 2 escolas conseguiram a vitória na promoção: Geo Martinez e Denny Prokopos do 10th Planet, e Garry Tonon, Gordon Ryan e Eddie Cummings, do Danaher Death Squad.

 

Desta vez foi Gordon Ryan que defendeu o título dos meios médios pertencente ao seu mentor, Garry Tonon. No primeiro combate venceu facilmente o adolescente faixa-roxa Jean Paul Lebosnoyani com a tal pegada kimura de que falámos, que usou para tomar as costas e finalizar. Em poucos minutos, e sem chegar a suar, Ryan mostrou que o corte de peso não fez estragos e que era um homem focado com uma missão.

 

No segundo combate tivemos um golpe de teatro, em que o faixa castanha Chris Mckarski acabou por seguir no torneio quando o seu adversário Dustin Akbari estava prestes a submetê-lo com uma kimura montada, mas ao transitar para a finalização se lesionou nas costelas e foi incapaz de continuar.

 

No terceiro embate, depois de terem empatado já anteriormente duas vezes, Marcel Gonçalves e Oliver Taza terminaram mais uma vez sem finalização.  Gonçalves eventualmente ganhou por fuga mais rápida no tempo extra.

 

No último combate do lado esquerdo da chave, tivemos um dos melhores combates da noite. Num verdadeiro confronto de estilos, depois de várias transições e ameaças mútuas de submissões, o guardeiro Dan Borovic venceu o sapateiro e anterior finalista vencido do EBI Kyle Griffin com, adivinharam, uma kimura.

 

Do outro lado da chave, o também finalista vencido Richie Martinez tentou a sua guarda com o passador Sergio Ardila. O confronto foi vencido por Ardila que com 30 segundos no tempo regulamentar deixou por momentos a passagem e finalizou com uma sub-reptícia (e dolorosa) chave recta na posição de legdrag.

 

O combate seguinte encarou Vagner Rocha com o sapateiro John Baize. Rocha deverá ser um parceiro de treino bem desagradável, já que tem um jogo de pressão de topo típico de lutador de MMA, não se coibindo de empurrar a cabeça, cara ou pescoço do adversário com as mãos, cotovelos ou a própria cabeça. Este tipo de pressão intensa manteve Baize longe das pernas de Rocha. Já tínhamos assistido a este tipo de jogo de pressão a anular o jogo de um sapateiro, como por exemplo Augusto Tanquinho fez a Eddie Cummings. Assim o foi neste combate, com Rocha a vencer com um agressivíssimo mata leão a esmagar o nariz de Baize no tempo extra.

 

Seguidamente, o irlandês Darragh O’Conaill enfrentou José Llanas num combate diametralmente diferente, muito mais solto e livre, com muito mais transições. Llanas foi salvo pelo gongo quando ia submeter a uma kimura/chave de braço, mas O’Connail acabou por garantir na mesma a finalização por mata leão no tempo extra.

 

No último combate dos oitavos de final, novo finalista vencido que ficou pelo caminho. Nathan Orchard já anteriormente tinha derrotado Craig Jones. Desta feita Jones, a fazer um jogo de guarda, conseguiu vencer, submetendo Orchard com uma muito subtil e elegante chave de calcanhar invertida.

 

Nos quartos de final, Gordon Ryan passeou classe a rolar com McKarski, com uma queda tesoura bem relaxada, parecendo ceder deliberadamente a passagem de guarda e a montada, para rapidamente recuperar posição e tentar a gravata uma, duas, e eventualmente pegando o estrangulamento à terceira vez.

 

Entretanto, o confronto entre Marcel Gonçalves e Borovic foi mais equilibrado, sem ninguém estar verdadeiramente próximo de finalizar nem no tempo regulamentar, nem no tempo extra. Gonçalves venceu por fuga mais rápida.

 

Vagner Rocha enfrentou Sergio Adila a seguir. Num confronto de dois wrestlers, nenhum quis puxar guarda ou ceder posição. Quando Adila tentou a queda, Rocha conseguiu defender, ficar por cima, defender a pernas, tomar as costas com a pegada kimura e matar o jogo com um estrangulamento.

 

“Eddie Bravo tem vindo a tentar aumentar a visibilidade do seu torneio, tentando ter competidores especializados em diferentes estilos e de diferentes países. Começará a ser a hora de pensar num(a) atleta português para um torneio futuro?”

 

No último embate dos quartos, o jogo foi outra vez completamente diferente: dupla puxada de guarda de O’Conaill e Jones nos primeiros segundos. Depois de ter estado perto de finalizar no braço, Jones viria a submeter O’Conaill com uma bela transição para chave de joelho a partir da meia guarda.

 

Nas meias finais, Ryan continuou a favorecer a kimura como entrada para a gravata a partir da guarda, tendo eventualmente usado esta técnica para raspar e montar. Usou a mesma pegada para assegurar a entrada nas costas e submeter com uma chave cervical.

 

A outra meia final entre Rocha e Jones foi mais longa e mais taxante, com Rocha a respirar fundo algumas vezes para conseguir manter a pressão a que nos acostumou. Desta feita, a meia guarda de Jones, nomeadamente o escudo do joelho de cima, permitiu-lhe manter Rocha à distância e minimizar tal pressão. No tempo extra, Rocha manteve-se nas costas de Jones durante muito mais tempo, eventualmente ganhando com uma fuga mais rápida acima de 4 minutos.

 

Na final frente a Ryan, Rocha mostrou-se mais reticente em aplicar pressão, já que Ryan conseguiu isolar uma perna por duas vezes tendo estado bem próximo de finalizar na chave de calcanhar. Quando Rocha tentou então recuar, Ryan levantou-se com ele, tomou muito bem as costas, isolou um braço, finalizou com mata-leão, e tal como o seu colega Garry Tonon, assegurou o outro em 3 divisões diferentes no torneio.

 

Jiujitsu de Combate:

 

Em paralelo ao torneio principal, tivemos um mini torneio de jiu jitsu modificado, em que as regras permitiam golpes com as palmas das mãos quando pelo menos um dos competidores estivesse no chão. O ambiente mudou completamente, muito mais semelhante ao de um show de MMA, e os combates tornaram-se bem mais caóticos.

 

No primeiro combate, JM Holland cedeu a posição de topo a Chad George e puxou guarda, tendo lutado para eventualmente estabelecer a guarda fechada, atacando a partir da guarda borracha. Apesar de ter sofrido uns quantos golpes pelo caminho, quando trancou a guarda borracha conseguiu evitar virtualmente toda a ofensiva de George e começou a ameaçar a submissão. George, porém, conseguiu escapar para a passagem de guarda, e com um par de golpes obrigou Holland a girar direto para um estrangulamento Brabo, com que finalizou.

 

O segundo combate foi entre Sheridan Moran, especialista em Sambo, e Nick Honstein, lutador de MMA. Este combate pareceu-nose ser muito mais semelhante a um combate de jiu jitsu tradicional, mas ao mesmo tempo com pequenas modificações para cada posição. Apesar da montada (e basicamente qualquer posição de topo) se tornar extremamente mais perigosa, sendo o KO ou o TKO um risco bem real, assistimos na mesma aos dois competidores a mergulharem nas pernas um do outro, estando a certa altura na posição de 50/50 de costas voltadas um para o outro cada um a tentar a chave de calcanhar. Honstein viria a ganhar no tempo extra com uma elegante finalização nas costas.

 

Por outro lado, a final deste torneio foi mais de acordo com as nossas expectativas, com Honstein a assegurar a posição de topo e passagem ao chover golpes à cara e corpo de George. Quando meteu o primeiro gancho para as costas, Honstein transitou então para a truck, isolou o braço, e num movimento técnico que levou a audiência nos Florentine Gardens a perder completamente a cabeça, finalizou o combate e assegurou a vitória no primeiro torneio de jiu jitsu de combate ao submeter George com um twister.

 

Entretanto, o próximo EBI já tem data e competidores: 9 de Julho, EBI 12 – Peso Mosca Feminino.

 

Eddie Bravo tem vindo a tentar aumentar a visibilidade do seu torneio, tentando ter competidores especializados em diferentes estilos e de diferentes países. Começará a ser a hora de pensar num(a) atleta português para um torneio futuro?

 

Por Diogo Trigo