A PRÁTICA DA REPETIÇÃO LEVA À PERFEIÇÃO, POR LUIZ DIAS

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A prática da repetição leva à perfeição*

 

Em um campeonato recentemente, fiquei observando as lutas, não só dos meus alunos, mas de maneira geral, e era fácil notar a diferença de um competidor com firmeza e confiança na posição que iria fazer e na rápida execução da sua rotina em relação aos outros. Certamente, é o resultado de muito treino e repetição da execução do golpe ou da movimentação, que assim se torna cada vez “melhor”, natural.

 

Repetir o golpe sistematicamente não significa que você não sabe fazê-lo, mas é durante os treinos que muitos lutadores querem apenas lutar, lutar e lutar. Quando se fala em repetir os golpes ou movimentos específicos como parte do treinamento durante as aulas, muitos alunos não percebem a importância desta parte do “estudo” da arte marcial, e reagem algumas vezes até com certa má vontade nas repetições.

 

Alguns chegam a “executar” a posição apenas de um lado, sempre deixando de fazer a posição no lado que não é tão hábil, e muitas vezes repetem uma ou duas vezes, já crendo que é o suficiente. Quando percebo isso em minhas aulas, eu explico aos alunos a importância de repetir o movimento para a melhor percepção e performance do lutador. “Em qualquer batalha, não costumam trazer a vitória o número de soldados e a coragem instintiva, mas a arte e o treinamento”, sábias palavras de Vegècio, escritor do Império romano.

 

Não percebem que através desse estudo, pode-se descobrir o seu melhor encaixe, outras variações do golpe e testar sua real eficiência, como também começar a diminuir a dificuldade que sente em determinado flanco do oponente. Esse é o momento de aperfeiçoar a posição, lapidar determinado movimento e executá-lo de uma maneira tal de fluidez, que o leva a um nível inconsciente para que, na hora do combate, o lutador execute o golpe sem pensar, fazendo por puro instinto, todos os golpes são bons, ou pegam. Mas o único caminho que leva a execução de qualquer golpe para um grau de eficiência, rapidez e qualidade técnica é a prática constante. Só com a prática constante, no “rever” das técnicas, é que o lutador aumenta seu arsenal de golpes e impõe a sua técnica em um combate. Esse princípio é percebido quando um lutador é elogiado pela sua técnica ou criticado com frases do tipo: “ele só sabe dar aquele golpe” ou “isso anula o jogo dele”.

 

O lutador tem que estar com a mente alerta e segura. O seu saber e agir devem ser um pensamento único. A mente deve estar focada ao momento presente da luta, alheio ao placar, ao público. Por outro lado, à medida em que o lutador não sabe o que fazer no momento da luta, sua mente para, e consequentemente, suas ações também. Isso pode significar o fim de sua luta, sofrendo uma derrota por pontos ou uma finalização.

 

Para concluir esse texto, repito as palavras do mestre Daisetsu Suzuki: “O conhecimento técnico não basta. É preciso transcender a técnica para que a arte se converta em uma arte sem arte, brotando do inconsciente.”

 

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Luiz Dias, Líder da GAS JJ
www.geracaoartesuave.com.br
twitter: @gasjj

 

*Luiz Dias, escreve regularmente para a revista “Tatame” do Brasil e para o site JiuJitsuPortugal.com

 

Decidimos, manter o texto original.

 

*Para leres mais artigos de Luiz Dias na coluna ‘Verde & Amarelo’ clica no link: http://jiujitsuportugal.com/category/verde-amarelo-a-coluna-de-luiz-dias/