MMA – A NOVA ERA, POR LUIS BARNETO

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MMA – A Nova Era

 

Na pesagem da UFC Fight Night 103 ,quando BJ Penn afirmou, face a muitos comentários de ser o seu combate de regresso um género de “old school” contra “new school”, que “kicking ass is timeless”, o seu jovem adversário dessa noite respondeu que esta é uma nova Era do MMA, e isso mesmo iria demonstrar no dia seguinte. E demonstrou.

 

É certo que é dificil um match maker encontrar um adversário pior para o BJ Penn do que um especialista de footwork e strike com as pernas. E nesse aspecto, confesso, estou preocupado com o caminho que o UFC parece traçar, após a saída de Joe Silva. Tanto este main event, como o de Nunes vs Rousey, são disparates em termos de “casamento de lutas” (usando uma expressão mais popular em português para “matchmaking”). E se é discutível o seu interesse e retorno financeiro (porque a curto prazo ele existe, mas a médio, longo, pode contribuir para desinteresse de fãs e prejuizos), em termos desportivos é ao nível dos “eventos de bairro” que não tendo como escolher quem luta com quem, aceita quem venha, e pode acabar a ter 5 ou 6 lutas de finalização rápida. E não se iludam os promotores e match makers desse mundo, já existem legiões de fãs entendidos, que percebem bem a diferença entre uma finalização fabulosa, uma predominância conquistada durante a luta, e um caso óbvio de diferença de nível entre os lutadores.

 

No entanto, ultrapassando essa questão do matchmaking, ou do espírito guerreiro do BJ Penn que não regateia adversários e teria aceite vir lutar com Werdum ou McGregor, tanto se lhe dá, de aplaudir por um lado, mas pouco consentâneo com o profissionalismo do MMA, de hoje em dia, por outro, a verdade é que assistimos a um dominio avassalador de um jovem, ainda que promissor, contra um dos “monstros sagrados” do UFC. Porquê, perguntarão alguns?

 

Porque o desenvolvimento do desporto a todos os níveis cria 4 situações, que o afastam imensamente do que era, há não tanto tempo assim:

 

1 – O talento, como sempre acontece na maior parte dos desportos, é um factor de desiquilíbrio, mas (e este mas é fundamental) somente quando os outros todos estão equiparados.

 

2 – O MMA é cada vez mais um desporto e cada vez menos uma luta de bar.

 

3 – O desenvolvimento do desporto inclui o desenvolvimento da competência de todos, treinadores, atletas, e hoje em dia, principalmente ao nível do UFC, o amadorismo de Dominick Cruz (que se estreia no UFC, e chega a campeão, mantendo um trabalho para além do treino de MMA), ou o auto treino de Dave Herman (que chegou à dezena de combates sem treinar de facto MMA, apenas a correr, andar de bicicleta, levantar pesos e treinar Lutas Olímpicas), não têm lugar, porque não conseguiriam fazer face ao conhecimento e agenda das equipas e atletas de topo.

 

Um outro caso recente, é o combate entre Glover Teixeira e Jared Cannonier, no UFC 208. O amadorismo de Cannonier (ou seja, o facto de trabalhar durante o dia, turnos de 10 horas, e treinar só à noite) fez parecer fácil o trabalho do Glover Teixeira, em áreas em que nem sequer se costuma mostrar muito, conseguindo 3 takedowns em 3 tentativas, e dominando o seu adversário no chão como lhe apeteceu.

 

4 – O calendário. É normal hoje em dia um atleta chegar ao UFC com 10, 15, 20 lutas, e rarissimo ver atletas a estrearem-se no MMA em pleno UFC (o último caso de que me lembro é o do Matt Metreone). Um atleta de 20 e poucos anos que assina com o UFC tem naturalmente um cartel positivo, e em muitos casos até uma experiência considerável como amador. Mais, mesmo no UFC, hoje em dia é raro o atleta que luta uma vez por ano, como acontecia no passado. 2, 3 vezes, é o normal. Existe quem lute mais. No Reino Unido, passando para um nível (amador ou profissional) mais terreno, existe um evento de MMA por fim de semana, pelo menos, em algum lugar do país.
Ter 20 combates aos 22 anos já não espanta ninguém.

 

O MMA é um desporto relativamente recente, ainda em formação, mas com uma identidade já suficientemente forte para ser visto como qualquer outro desporto, com a sua fase de formação, competição amadora, nacional e internacional, alto rendimento e profissionalização.

 

Por Luis Barneto