EDUARDO “BRIGADEIRO” VENÂNCIO: DA DE LA RIVA MODERNA À DE LÁ RIVA ORIGINAL, POR MAURO FROTA

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Eduardo “Brigadeiro” Venâncio: da De La Riva moderna à De La Riva original

 

Recentemente estive presente no seminário dos faixas pretas sensação do momento, Gabriel Arges e Edwin Najmi, que mostraram 3 passagens da guarda De La Riva. A sua abordagem foi, naturalmente, excelente e extremamente funcional no contexto da alta competição.

 

Três dias depois, estava eu a transmitir estas mesmas passagens ao nosso grupo, a Clone Jiu Jitsu, quando chega ao nosso tatame, de surpresa, o Professor Eduardo “Brigadeiro”, famoso faixa preta do lendário Mestre Ricardo De La Riva e que recentemente ingressou na equipa técnica da mundialmente famosa American Top Team, responsável por formar inúmeros campeões do UFC. O que se passou a seguir foi um momento de imensa partilha, técnica e histórica, em que o Professor teve a amabilidade de analisar o que eu estava a transmitir, sob a óptica do Jiu Jitsu “antigo”, transmitido por seu mestre, e que se adequava não só à competição mas também à defesa pessoal, o objectivo primário da nossa arte suave e, por vezes, tão negligenciado.

 

“O meu professor faria mais assim”, dizia “Brigadeiro”, demonstrando pormenores da guarda que recebeu o nome do seu mestre. Seguiu-se um momento de imensa partilha histórica, em que o Professor “Brigadeiro” confessou que, em mais de 20 anos de treino com o Mestre De La Riva, nunca conseguiu passar a sua guarda, mesmo tendo bem mais de 100 kg contra os menos de 70 do mestre. Ficámos todos presos no imaginário do Jiu Jitsu dessa altura, em que semanalmente se treinava contra striking, preparando e afiando a arte suave não só para os tatames mas também para um eventual conflito na rua.

 

No dia seguinte começaria o seminário que o Professor “Brigadeiro” tinha preparado para a Clone Jiu Jitsu. Claro que, depois do primeiro contacto, a expectativa estava em alta.

 

O Jiu Jitsu que praticámos no tatame, sob o olhar atento de “Brigadeiro”, parecia extremamente simples, visto por fora, mas depois das primeiras tentativas para o replicar, rapidamente percebemos que é enganadoramente simples, pois está cheio de pormenores para aumentar a pressão sobre o adversário, para fazer o setup das técnicas e para realizar as finalizações, muitas delas “invisíveis”, pois não percebíamos à primeira vista o que estava a acontecer.

 

Depois de um início com trabalho em pé, em que a extensa experiência em Judo do Professor “Brigadeiro” ficou bem patente, fizemos um imenso trabalho de finalizações do 100 kg e Kesa Gatame, que o Professor chamou de “100 kg frontal”.

 

Este foi, definitivamente, um seminário que ficará para a memória, não só pelo primeiro momento de contacto com o Professor “Brigadeiro”, mas também pelo que foi apresentado no seminário: um Jiu Jitsu com o qual me identifico e que defendo sempre que possível. Um Jiu Jitsu que funciona dentro e fora dos tatames. Um Jiu Jitsu quase esquecido mas que é urgente ressuscitar e divulgar.

 

Por Mauro Frota