CONVERSA COM MEERKATSU, POR DIOGO TRIGO

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Meerkatsu é um nome com que provavelmente muitos leitores estarão familiarizados, associados a equipamento como rashguards ou kimonos artísticos, com um toque estilístico muito próprio e popular. Mas quem é na verdade o homem por detrás do nome? Para sabermos mais sobre o cérebro por detrás da arte, falámos com Meerkatsu, o nome artístico de Seymour Yang.

 

Jiujitsu Portugal – Viva, tudo bem? Primeiro de tudo, fala-nos um bocadinho de ti. Há quanto tempo treinas, onde e com quem e há quanto tempo foste promovido a faixa preta?

Seymour Yang - Olá pessoal. Comecei a treinar BJJ em 2003 ou mais concretamente, fui à primeira aula em 2003, mas treinava só uma ou duas vezes por mês porque me dedicava mais a Jujitsu tradicional, que treinava 3 a 4 vezes por semana. Mas por volta de 2009/ 10, desisti do jujitsu tradicional e passei a dedicar-me exclusivamente ao Jiu-Jitsu brasileiro. Fui eventualmente promovido a faixa preta em Dezembro de 2015. A minha academia é o Mill Hill BJJ, do professor Nick Brooks. Somos afiliados ao Roger Gracie. Tenho também a minha própria academia, na minha terra natal, onde ensino duas vezes por semana: Borehamwood BJJ.

 

JJP -A vossa academia está associada a alguns dos nomes mais sólidos do circuito britânico e para além do mais, temos o Roger metido no barulho. Qual é a sensação de treinar com ele?

SY - O Roger é um verdadeiro mestre da arte. Ele ensina-te técnicas que à primeira vista parecem ser básicas, quase simples, mas sabes que vão funcionar vezes e vezes sem conta, a qualquer nível. Enquanto campeão, ele é uma inspiração. De facto a nossa academia é sortuda, o Roger vem cá para seminários várias vezes por ano e muitos que lá treinam vão também treinar à academia principal RGA.

 

JJP – Então, qual é a tua rotina diária? Com que frequência rolas e fazes algum tipo de treino ou condicionamento adicional?

SY - Eu tenho um trabalho normal, por iso quando chego a casa do escritório, apanho os miúdos da escola e fazemos os TPC, jantar, banhinho… A vida normal de pai, percebes? Despachado isto, acelero para a academia ou na minha ou em Mill Hill. Com esta vida não tenho tempo para mais nenhum outro tipo de treino adicional, mas rolo ou faço alguma forma de Jiu-Jitsu 4 ou 5 vezes por semana.

 

JJP – E quanto a competições?

SY - Competia ativamente nas faixas azuis e roxa, mas parei na faixa castanha. Não tenho grandes desculpas para isso, tirando que a vida me ocupou um bocado, mas sei que a minha hora vai voltar e vou regressar ao tatame de competição.

 

JJP – Vemos-te mais frequentemente no kimono, costumas treinar também sem pano?

SY - Sim sim, treino sem kimono com o jovem campeão Daniel Strauss uma vez por semana.

 

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JJP – E jogo de pernas? Consideras-te um sapateiro? O Dan costuma jogar um bocado nas pernas e treinas também com o Oli Geddes, que tem um sistema extensivo baseado nas chaves de pé.

SY - Não sei até que ponto descreveria o Dan como sapateiro, acho que ele se prefere mais os estrangulamentos, mas o Oli tem sido uma grande influência minha. Já tive várias aulas privadas com ele e costumava ir às aulas que ele dava em Mill Hill. Adicionalmente, somos bons amigos há muitos anos, mesmo antes de eu treinar Jiu-Jitsu, porque ele está ligado à universidade onde eu ensinava jujitsu tradicional.

 

JJP – Como descreverias então o teu jogo? Quais as posições por que procuras mais e em que é que estás a trabalhar agora?

SY - Eu passei a maior parte da minha carreira do Jiu-Jitsu a desenvolver o meu jogo de guarda, o que infelizmente quer dizer que não sou tão bom a passar como queria, por isso neste momento estou concentrado em fazer os básicos direito. É engraçado, não é? Esperavas que um faixa preta estivesse sempre a fazer manobras “avançadas”, mas na verdade, desde que comecei a ensinar, estou obcecado é com os básicos e os fundamentos.

 

JJP – Acho que percebo bem o que queres dizer. É aquela história de quando chegas a faixa preta, “arrebenta a bolha e volta ao início”, fazer e aperfeiçoar tudo outra vez, não? Em quem é que te inspiras, quem é que te motiva para fazer isso, chegar a este nível e continuar na luta, o aperfeiçoamento, a suar e a esforçares-te?

SY - O Nick Brooks é o meu treinador, o meu instrutor, meu mentor e meu amigo. É uma inspiração fantástica. Para além dele, acho que toda a gente com quem travei conhecimento na minha viagem do Jiu-Jitsu me influencia de alguma maneira.

 

JJP – Mudando ligeiramente o rumo da conversa, falemos um bocadinho sobre a tua arte. De onde vem o nome “Meerkatsu”?

SY - É um nome que inventei quando comecei a frequentar fóruns de artes marciais no final dos anos 90. É uma mistura da palavra “meerkat” (suricata) e “katsu” (o caril).

 

JJP – Tiveste alguma formação específica para a ilustração ou és autodidacta?

SY - Sou grandemente autodidacta, mas frequentei algumas aulas em regime pós-laboral em várias escolas de arte.

 

JJP – A maior parte da tua inspiração parece vir da Ásia Oriental, com motivos chineses ou japoneses. Porquê estes elementos em particular?

SY - Acho que por vários motivos. Primeiramente, eu sou chinês (nascido no UK de pais chineses) e cresci sempre com cultura chinesa presente na minha vida toda. Todas as histórias, os emblemas, os detalhes, o folclore, etc., tudo isso que eu uso no meu trabalho, são coisas com que cresci. Quanto aos trabalhos relacionados com o Japão, acho que são provavelmente influenciados pelo meu treino em artes marciais japonesas – Karate Kyokushin, enquanto estudante, e jujitsu tradicional (que na verdade não é bem tradicional, é mais um estilo moderno que gosta de fingir que descende do jujitsu tradicional japonês à moda antiga).

 

JJP – Tens alguma peça que te seja especialmente querida?

SY - Qualquer uma das peças da colecção “Geisha vs Demónio”. Foram ilustrações muito especiais de criar das quais estou muito orgulhoso, por isso é fantástico ver tanta gente a vesti-las.

 

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JJP – Então, qual é o processo que vai entre desenhar uma peça e vermo-la numa rashguard ou num kimono? Desenhas normalmente com um produto final em mente ou tens uma pasta com trabalhos já feitos e são as companhias que te contactam a pedir trabalhos?

SY - Acho que cada projecto em si é diferente. Nalguns dos casos, sou eu quem tem a ideia original e tento “vendê-la” ao cliente. Noutros casos, desenho o que me dizem para desenhar. Na minha marca “Meerkatsu”, obviamente sou eu o cliente e o artista, por isso tenho absoluta liberdade de desenhar o que quiser. Por outro lado, isto cria alguma pressão, porque se não vender ou não gerar interesse nos clientes, perco dinheiro do meu próprio bolso.

 

JJP – De facto isso é desagradável, não queremos que isso aconteça. Se os nossos leitores estiverem interessados, onde é que te podem encontrar?

SY - Estou no facebook em https://www.facebook.com/Meerkatsu/ e o meu site é http://www.meerkatsu.com/.

 

JJP – Muito obrigado pelo teu tempo, um abraço!

SY – Abraço!

 

Por Diogo Trigo

 

*Sabe mais sobre Diogo Trigo na sua coluna ‘OPEN MAT': http://jiujitsuportugal.com/category/open-mat-a-coluna-de-diogo-trigo/