‘NEWAZA CHALLENGE LONDON’, por diogo trigo

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Newaza Nogi Challenge London

 

Julho está a ser um mês louco para fãs de desportos de combate, entre o UFC 200, EBI7, Metamoris 7, IBJJF Proleague, e até a própria final do Europeu de futebol, que teve direito a gravatas e chaves de joelho.

 

No próximo domingo, incorporado no super evento The Combat & Strength Show, que inclui o ADCC UK e o Bellator London, teremos mais um torneio de Jiu Jitsu profissional: o Newaza Nogi Challenge London. Esta competição, que funcionará como satélite para o Polaris 4 (o maior evento europeu de lutas casadas), será um torneio sub only sem pano, sem limites de tempo e com as regras do ADCC. Este confronto de estilos e de escolas contará com oito promissores discípulos de alguns dos mais conceituados mestres de Jiu Jitsu, que irão levar não só a bandeira da sua escola mas também tentar imortalizar o seu próprio nome na história .

 

Em conversa com o Jiujitsu Portugal, os organizadores dizem-nos que quiseram incorporar atletas de Jiu Jitsu baseados no Reino Unido, independentemente do peso ou graduação, resultando no cartaz final. Arya Esfandmaz, Ben Dyson, Bradley Hill, Jamie Scott, Paddy Pimblett, Michael Hawkins, Sam Green e Tom Breese serão os atletas que terão a oportunidade de mostrar a sua arte à vasta audiência da O2 Arena, lutando pelo título e por uma presença no P4.

 

Lidemos imediatamente com o óbvio: sim, há um discípulo de Roger Gracie presente. O selecionado foi o faixa castanha Michael Hawkins, baseado na Gracie Academy Mill Hill BJJ. Apesar de afiliado e graduado de Roger Gracie, estará no seu canto o strongman Daniel Strauss, ele próprio veterano do Polaris. Podemos esperar da sua parte uma pressão intensa do topo e uma pega titânica, que usa normalmente para finalizar por cima.

 

No seu primeiro combate estará emparelhado com aquele que poderá ser a surpresa do torneio. Jamie Scott, líder da 10th Planet London e faixa-castanha de Eddie Bravo. O mais velho competidor neste torneio, está mentalmente preparado para assumir o papel de patinho feio da competição. Aos 39 anos, e aparentemente sem um currículo para o qual olhemos duas vezes, Scott resumiu-nos o favoritismo dos seus adversários numa frase “Toda a gente com quem vou competir tem um vídeo de highlights, os meus únicos vídeos são de CCTV”. Um guardeiro e sapateiro, é extremamente flexível apesar do seu tamanho, o que lhe permite favorecer a guarda-borracha, gostando também de transitar para a truck quando raspa da meia guarda.

 

É também em Londres que está radicado Lúcio “Lagarto” Rodrigues. O seu protegido e discípulo, o faixa preta Arya Esfandmaz, é outro dos nomes confirmados. Com uma base de Judo, treina tanto com como sem pano, e no primeiro ano de faixa preta limpou completamente o Europeu sem pano. Apesar de competir frequentemente nas regras da IBJJF, Arya não costuma preocupar-se com pontos, procurando obcessivamente a finalização e o espetáculo, tendo de facto um estilo de combate bastante acrobático e agradável para os espetadores. Dos pesos pesados mais ágeis com que alguma vez se irão cruzar, podemos esperar dele (muitos) triângulos e armlocks voadores, alternados com entradas a rolar para a chave de joelho.

 

O seu primeiro adversário será o faixa castanha, também Gracie Barra, Bradley Hill. E tal como Esfandmaz, o seu mestre é um nome de peso: Bráulio Estima. Já foi campeão europeu e medalhou bronze nos mundiais, mas desta feita, estará em desvantagem em termos de peso (normalmente vemo-lo como peso médio). Poderá estar em vantagem em termos de agilidade e estamina relativamente a adversários maiores, algo que num combate sem limites de tempo poderá fazer a diferença à medida que o relógio avança.

 

Ben Dyson, faixa castanha de Roy Dean, já medalhou prata no Europeu. Está também habituado à presença nos grandes palcos, pois já marcou presença no Polaris 3, onde derrotou Travis Newaza com um kimura num combate controverso, em que Dyson parece ter submitido verbalmente numa americana de pé antes de continuar o combate e trancar a submissão. Tendo isso em conta, estará provavelmente extra motivado pronto para limpar quaisquer dúvidas que haja quanto ao seu valor e quanto à sua capacidade de sofrimento.

 

Irá enfrentar na sua primeira luta Sam Green, do 10th Planet Darlington. Este faixa-roxa de Eddie Bravo, aluno de Luke Randell, poderá, tal como Jamie Scott, outro dos competidores subvalorizados a surpreender-nos. Tal como a maior parte das escolas 10th Planet, tem vindo a trabalhar nas suas chaves de perna, que poderá usar para fazer danos, principalmente tendo em conta que irá emparelhar com Dyson, que costuma competir no universo IBJJF, e que já vimos a ter alguns problemas a lidar com sapateiros.

 

Actualmente baseado no Canadá, onde treina no Tristar Gym de George Saint-Pierre ou Rory MacDonald, o lutador da UFC Tom Breese é originário de Birmingham. Com 24 anos apenas, regressa à O2 Arena onde já este ano derrotou Keita Nakamura para a UFC. Wrestler de formação, o agora faixa castanha de Firas Zahabi, treina frequentemente com John Danaher na Renzo Gracie Academy de Nova York. Poderemos esperar luta pelos ganchos (under e overhooks) que usa para estabelecer as quedas e pressão a partir do topo. Também evidente no seu jogo são as posições de chaves de pernas da escola Danaher, nomeadamente a posição de ashi garami quando por baixo (usada na luta com Nakamura), ou entrada de Imanari quando de pé (evidenciada por MacDonald contra Wonderboy no seu último combate). Vindo da primeira derrota na sua carreira profissional de MMA (10-1, 8-1 na UFC), na decisão a favor de Sean Strickland, terá aqui uma boa oportunidade de regressar às vitórias.

 

Para tal, Breese terá de ultrapassar o também lutador de MMA (mesmo record de 10-1) e jovem prodígio Paddy “The Baddy” Pimblett.  Baseado em Liverpool, aos 21 anos é já faixa castanha de Paul Rimmer e favorece normalmente estrangulamentos vistosos, que usou para obter metade das suas vitórias. À espreita de uma oportunidade para lutar por promoções maiores de MMA (um contrato com a UFC parece estar iminente), terá numa submissão de Tom Breese um belo cartão de visita a apresentar aos promotores. Terá contra si, porém, uma enorme desvantagem de peso, já que costuma lutar como Pena, sendo provavelmente competidor mais pequeno no torneio. Poderá compensar esta desvantagem com a sua enorme flexibilidade e agilidade.

 

Diogo Trigo
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