O MOVIMENTO ‘SUBMISSION ONLY’ – UMA MODA PASSAGEIRA OU NOVO RAMO NOS DESPORTOS DE COMBATE?, POR DIOGO TRIGO

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O movimento submission only. Uma moda passageira, ou um novo ramo nos desportos de combate?

 

Submission only (“apenas submissão”), encurtado coloquialmente para subonly, é um movimento que tem ganho alguma tração nos últimos anos. Promoções como Metamoris e EBI (EUA) ou Polaris (Reino Unido) têm vindo a aumentar a sua visibilidade ao apostarem em diferentes formatos (principalmente lutas casadas ou torneios) mais centrados no entretenimento do espetador, procurando obter o retorno financeiro pelo pay-per-view e pela bilheteira em vez de serem financiados pelos atletas.

 

O facto de ser cada vez mais fácil e barato divulgar um evento por stream exclusivamente na internet permitiu ultrapassar barreiras de preço impeditivas que se impunham quando se falava de passar Jiu Jitsu na televisão, e este balanço financeiro permite também que haja um maior prémio a pagar aos competidores, atraindo grandes nomes do desporto.
A atração principal, segundo os promotores?

 

A ideia de subonly abole a ideia de pontos ou vantagens. Isto aumenta a fluidez dos combates, forçando os competidores a procurar finalizar o combate a qualquer custo, evitando-se assim longos minutos de lutas por pegadas, clinches intensos a manter uma posição, ou competidores a queimar tempo quando em vantagem pontual. De facto, vários têm sido os eventos que se têm sucedido com combates intensos e fluídos e com varias finalizações diferentes a serem asseguradas, para gáudio de competidores, assistência e crítica especializada.

 

Este formato não é, porém, isento de censura. Algumas vozes têm-se levantado a avisar para o risco que acarreta a ideia de submissão seja qual for o custo, incorrendo-se no erro esquecer o conceito de “posição antes da submissão”. Este hábito poderá levar à criação de um nicho do Jiu-Jitsu, uma vez que a componente de auto-defesa da arte marcial estará comprometida quando se está a oferecer a montada ao adversário enquanto se procura uma chave de perna.

 

“Este movimento tem crescido sustentadamente, não sendo claro se se trata de uma moda passageira que irá brevemente esgotar o filão, ou se é uma forma de competição válida que veio para ficar.”

 

Por outro lado, as regras parecem ainda precisar de ser ligeiramente afinadas para se encontrar um vencedor, já que aumentando o nível dos competidores, o mais provável irá ser que 10 ou 15 minutos não sejam o suficiente para que uma submissão aconteça, inviabilizando completamente a ideia de submission only.

 

De facto, o recente Polaris 3 viu os oito combates do seu cartaz principal, com nomes como Augusto Tanquinho, Rousimar Palhares, Garry Tonon, João Miyao, ou Bruno Frazatto, terminarem num empate. Na sua segunda edição, o Metamoris optou por incluir a decisão de juízes para decidir o vencedor em caso de empate, mas esta foi abandonada em eventos consequentes, pois resultou em combates bastante conservadores em que certos contendores procuraram evitar ceder a posição para não perderem o combate na decisão.

 

Um formato de regras muito característico, que lentamente tem vindo a ser implementado em vários eventos, são as regras do Eddie Bravo Invitational (EBI). No caso de empate ao fim de 10 minutos, segue-se para um desempate de grandes penalidades: os competidores começam alternadamente numa posição com a submissão eminente, as costas ou a posição de arm lock. Vence um competidor que submeter o adversário e não for submetido quando for atacado. No caso de haver duas submissões, ganha a submissão mais rápida, e se escaparem os dois, repete-se o processo um número finito de vezes, ganhando o competidor com o menor tempo de fuga.

 

Este movimento tem crescido sustentadamente, não sendo claro se se trata de uma moda passageira que irá brevemente esgotar o filão, ou se é uma forma de competição válida que veio para ficar. O que é certo é que a plataforma online da UFC, o Fight Pass, decidiu investir no formato e inclui agora os eventos EBI no seu cardápio.

 

Ainda não foram revelados dados quanto à sua viabilidade financeira, e vários são os competidores que ainda se mostram reticentes a optar por estas promotoras, especialmente quando as datas chocam com competições com maior nome, mas o certo é que a ideia de submissão não só como desporto, mas também como forma de espectáculo data já de há milénios atrás. E nada do que temos visto nestes últimos anos nos leva a crer que essa espectacularidade tenha sido de alguma forma perdida nos anos que sucederam.

 

 

Diogo Trigo
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