ANDRÉ “DEDÉ” PEDERNEIRA: “RECEBEMOS NA NOVA UNIÃO ATLETAS PORTUGUESES COM MUITO POTENCIAL”

 

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No meu segundo dia no Rio de Janeiro, dou de caras com o conhecido André Pederneira, ‘Dede’, num campeonato de Jiu-Jitsu no bairro das Laranjeiras, na zona Sul. Conversa puxa conversa e fica agendada uma visita à famosa Academia Upper para uma entrevista exclusiva com o patrão da Nova União, equipa onde treinam alguns dos maiores atletas de Jiu-Jitsu e MMA da actualidade.

 

Dia e hora marcados, dirijo-me para a Upper. Um calor abrasador a fazer-se sentir bem cedo pela manhã e começam a chegar dezenas de praticantes de desportos de combate, entre eles um tal de José Aldo. A recepcionista manda-nos entrar e depois da visita guiada ao edifício de vários andares, subida ao local de treino no último piso.

 

Acabado de chegar de Portugal, o impacto de ser convidado a conhecer uma fábrica de campeões em pleno coração carioca com liberdade total para circular no meio das feras, é enorme e emocionante. Conversar com um grande astro, trocar ideias com uma pessoa influente, quem sabe arrancar dela uma grande notícia, uma declaração forte…

 

Enquanto ‘Dede’ foi orientando o treino, tive a rara oportunidade de ver por dentro como funciona a máquina de competição de uma equipa desta dimensão.

 

Para os leitores perceberem a intensidade do treino, este foi montado em cima de um circuito de Jiu-Jitsu, luta livre e striking, onde os atletas rodavam pelas várias áreas de combate. O ritmo imposto durante toda a manhã era tal, que tinha uma profissional da limpeza permanentemente presente “armada de balde e esfregona” para limpar o suor do tatame, que nalguns pontos parecia mais que tinha havido uma inundação e estava-se a limpar os restos de água.

 

Foi literalmente no meio desta acção que foi feita a entrevista ao treinador, que muitos consideram o melhor do mundo!

 

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JiuJitsuPortugal – Como foi o processo de desenvolvimento e crescimento da equipa Nova União?
André “Dede” Pederneiras – Tudo começou com o Jiu-Jitsu. A Nova União foi criada há 20 anos atrás. Eu tinha a minha própria equipa até que resolvi juntar a minha equipa com a do Deu. Por volta de 2003 lançamos as bases para o MMA e o resultado é esse que estás a ver aqui hoje: atletas campeões em vários eventos.

 

JJP – Por falar em atletas campeões em vários eventos, como é ser considerado por muitos como o melhor treinador de MMA do mundo?
AP – Sensação de dever cumprido! É uma sensação gratificante sem dúvida. O trabalho continua, cada dia maior, com mais desafios…o negócio é dar continuidade.

 

JJP – Como foi a transição do Jiu-Jitsu para o presente, com uma forte equipa de MMA?
AP – Em 2003 começamos a migrar os melhores atletas de Jiu-Jitsu para o MMA e logo desde o início começamos a ter bons resultados. Então foi dar continuidade ao trabalho, apostar forte na preparação dos atletas e muito trabalho. Muito mesmo!

 

JJP – Para si qual o rumo do Jiu-Jitsu nos tempos que correm, tão diferente de quando começou?
AP – Acho que a regra está permitindo cada vez mais coisas e cada um vai-se adaptar ao que for melhor para si. Eu vejo que algumas posições travam muito o Jiu-Jitsu, não deixam que este flua, mas se a regra permite, o atleta só tem que andar com elas (regras) debaixo do braço e lutar para vencer. Se me perguntares se acho uma coisa boa o Jiu-Jitsu mais solto, acho que sim, que vão beneficiar o atleta se este um dia transitar para o MMA. Por exemplo e pagando numa destas novas posições: se o atleta fizer a 50/ 50 num evento de MMA está sujeito que o adversário vá para cima dele e lhe encha a cara de socos. Então, algumas posições que são hoje feitas, não serão adaptadas ao MMA. Mas cada um tem o seu objectivo e se certas posições funcionarem com determinado atleta…parabéns!

 

“O Jiu-Jitsu está com um crescimento gigantesco, com cada vez mais campeonatos, estes com mais inscritos…então cada um vai escolher o modelo de negócio que pretende, porque o Jiu-Jitsu hoje é um negócio e não existe mais só o lado desportivo”

 

JJP – Sendo o Jiu-Jitsu menos atractivo financeiramente que o MMA, será que se corre o risco de os grandes nomes deixarem de competir na Arte Suave e migrarem todos para o ringue?
AP – Acredito que sim, mas não é só o dinheiro que faz o atleta migrar do Jiu-Jitsu para o MMA. Sou da opinião que a vontade de lutar tem que ser maior que a vontade de ganhar dinheiro, senão o cara vai lutar uma vez, vê que não é aquilo que quer e volta para o Jiu-Jitsu. Então, além do prémio monetário o importante é a vontade de querer mudar e ter a vontade de treinar forte para lá chegar porque é muito difícil.

 

JJP – Os campeonatos de Jiu-Jitsu da forma como hoje são organizados estão em extinção? O futuro são eventos como o Metamoris e a Copa Pódio?
AP – Vou ser muito sincero. Tenho acompanhado pouco os campeonatos de Jiu-Jitsu. Bom, por acaso conheci-te num (risos), mas acho que que de um modo geral existe espaço para ambos os conceitos. O Jiu-Jitsu está com um crescimento gigantesco, com cada vez mais campeonatos, estes com mais inscritos…então cada um vai escolher o modelo de negócio que pretende, porque o Jiu-Jitsu hoje é um negócio e não existe mais só o lado desportivo e que faça um bom trabalho e que ganhe dinheiro.

 

JJP – Uma provocação: pode-se falar de um American Jiu-Jitsu?
AP – (Pensativo)…Acho que cada país pode falar do seu Jiu-Jitsu. Não só a América, como qualquer país da Ásia ou até Portugal podem chamar de seu ao Jiu-Jitsu, quando desenvolvem novas técnicas e o melhoram dentro das suas fronteiras. Mas a base será sempre o Brazilian Jiu-Jitsu (risos).

 

JJP – Existe uma fórmula para o sucesso?
AP - Na verdade o que difere um atleta de outro é a quantidade de treinos que faz e também com quem aprende. Se tiver bons professores e se o cara se dedicar, vai acabar chegando!

 

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JJP – E a Europa, como vê o Jiu-Jitsu eos desportos de Combate no “Velho Continente”?
AP – A crescer como por todo o mundo.

 

JJP –E a Nova União na Europa?
AP – Está grande! Esperamos nos próximos cinco anos ter globalmente 1000 filiais da equipa. Neste momento temos 420.

 

JJP – 420 filiais da Nova União?
AP – É…afiliadas à Nova União são 420! Acredito que daqui a cinco anos cheguem às 1000 devido ao enorme crescimento do Jiu-Jitsu pelo planeta.

 

JJP – E Portugal?
AP – (Pausa)…também cresce. Como qualquer país fora do Brasil e ainda para mais na Europa vai crescer também. Já vi bons atletas de Portugal a treinarem aqui, com muito potencial.

 

JJP – Portugueses vindos de Portugal?
AP – Sim, que vivem em Portugal.

 

JJP – Tem algum conhecimento do que se passa no Jiu-Jitsu em Portugal?
AP – Sim, eu tenho uma boa relação com o Manoel (Neto), que já esteve cá com atletas. O nível deles é muito bom!

 

JJP – Para terminar, quer deixar uma mensagem para a comunidade do Jiu-Jitsu de Portugal?
AP – Amigos portugueses, quanto mais vocês treinarem, mais se aproximam dos vossos objectivos, seja o de serem campeões ou aprenderem um bom Jiu-Jitsu. A diferença de quem conquista os seus objectivos é apenas a dedicação. Valeu galera!

 

Por Paulo Santos com Luiz Dias

 

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