A EVOLUÇÃO, POR HUGO TAVARES

 

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É quase inevitável que no percurso, longo e gratificante (pelo menos assim deveria ser), que representa a jornada de treino em Jiu-Jitsu, existam momentos de aparente estagnação que podem levar por sua vez a uma indesejável desmotivação.

 

Existem algumas falácias nessa história, uma delas é apontar o dedo a outros ao invés de nos focarmos no que realmente temos pela frente: “os meus colegas não têm o meu peso”; “já estou noutro nível” – falácias já o tinha dito. A competitividade dos colegas e amigos de treino, pode ser explorada em múltiplas facetas, nomeadamente, se o nosso colega tem menos experiência é de salutar que se explorem técnicas onde ainda não nos sentimos totalmente confortáveis, arriscando, errando e corrigindo esse erro.

 

Contrariamente se for mais experiente, o jogo deve ser mais justo e realista (em ambos os casos o ego deve ficar à porta). Esse caminho é infinito, a não ser nos casos transcendentes daqueles que nasceram com o dom de tudo saberem…

 

Excluindo por ora esses casos singulares de infinita sabedoria, em rigor todos nos deparamos, em algum momento, com este dilema. A solução é treinar. Treinar ainda que sem vontade (por regra saímos do treino satisfeitos), criar desafios para nós próprios, metas – leia-se que não são medalhas (não vou agora debruçar-me sobre publicidade) – é a única fórmula que encontro e que posso recomendar, porque é assim que na prática se ultrapassa esses momentos fugazes, tal e qual o meu caso.

 

No entretanto, enquanto suamos para crescer, o que por regra ocorre é, precisamente, a evolução almejada. Treinas 1000 vezes a de la riva invertida, pois 999 x passaram a guarda, bastou 1 x de sucesso para perceber o que funciona em luta real. Na mesma linha de pensamento, passa por aplicar no momento da luta, a técnica que foi ensinada momentos antes, e quão gratificante é para o professor perceber que a estão a praticar, como para o atleta que a realizou.

 

Cumpre igualmente ao professor, reparar nesses detalhes que diferenciam “o dia de ontem para o de hoje”, porquanto, em inúmeras ocasiões o atleta não esta capacitado para perceber que o seu jogo progrediu.

 

O percurso que o Jiu-Jitsu oferece é continuo e não encontra destino ou objectivo em faixas ou divisas, mas antes no progresso, no aperfeiçoamento, na correcção e no respeito que se cria entre os demais colegas de treino (sejam eles de que academia forem), com sabedoria, um dia ouvi: “Jiu-Jitsu não tem linha de chegada”, pelo que, temos muito para andar entretidos.

 

Hugo Tavares é licenciado em Direito, Faixa-Preta e escreve regularmente para o JiuJitsuPortugal na coluna “A Direito Pelo Jiu-Jitsu”.