ENTREVISTA A GUTO VICENTE: “TENHO UM SENTIMENTO ESPECIAL POR PORTUGAL”

 

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Em Novembro, Mestre Guto visita Portugal para mais um seminário. Foto: GV

 

Começou a praticar Jiu-Jitsu aos 8 anos, com o professor Luis Carlos Rodrigues da Fonseca, passando depois pelos mestres Amélio Arruda Câmara, Orlando Santiago Barradas (in memorian) e Adir de Oliveira, o “Índio”, até que em 1998, chegou à academia Gracie, onde foi recebido com muito carinho pelos professores Rolker Gracie e Royler Gracie.

 

Recebeu a faixa preta do mestre Barradas juntamente com o professor Luis Carlos (com quem iniciou no Jiu-Jitsu). Em Março de 1991, fundou a academia GUTO VICENTE DE JIU-JITSU, onde iniciou o “Projecto Guto” (Jiu-Jitsu para crianças carentes), em 1996.

 

Actualmente, além de ministrar aulas de Jiu-Jitsu e defesa pessoal na sua própria Academia, na Região Oceânica de Niterói – Rio de Janeiro e na Academia Gracie, dá seminários em vários estados do Brasil e exterior. Hoje treina na Academia Gracie Humaitá e considera seus professores Rolker e Royler Gracie os melhores do Brasil.

 

JiuJitsuPortugal – Mestre, Faixa Coral significa uma vida dedicada ao Jiu-Jitsu. Fale-nos um pouco sobre o seu percurso.
Guto vicente - Iniciei-me no Jiu-Jitsu em 1976 (39 anos na arte) com o Mestre Luiz Carlos Fonseca, em Niterói, Rio de Janeiro. Passei ainda pelas mãos dos Mestres Amélio Arruda Camara, Orlando Santiago Barradas (in memorian), Adir de Oliveira (in memorian), Valdenir Alves Machado (in memorian).
Cheguei à Academia Gracie em 1997, onde fui muito bem recebido pelos Mestres Royler e Rolker Gracie e até onde permaneço até hoje.

 

JJP – O Mestre representa a Academia Gracie Humaita em Niterói. Qual a sua relação com a família Gracie e como surgiu essa parceria?
GV - Como disse na resposta anterior, cheguei a Gracie Humaita em 1997, já na Faixa Preta e com uma grande equipe na minha Cidade. Pela forma que fui recebido pelos irmãos Gracie, ali começou uma verdadeira relação de amizade, com honestidade, lealdade e respeito. A Gracie Humaita é uma verdadeira família.

 

“Um faixa-preta de verdade é formado após muito tempo de dedicação e perseverança. O verdeiro faixa preta não é formado só na arte, mas também no seu caráter durante a sua disseminação.”

 

 

 

JJP – Sabemos que formou alguns campeões mundiais. Quantos foram e qual o segredo do sucesso da sua equipa nas competições?
GV – Foram 6 os Campeões em Mundiais da IBJJF formados pela equipa. O segredo, eu creio que foi trabalho de conjunto de toda equipa: atletas, professores e parceiros de treino. Isso unido à muita força de vontade, foco e Fé.
Não é nada fácil para um Atleta de Jiu-Jitsu sair do Brasil e viajar até a Califórnia, nos EUA, para participar de um evento como esse Mundial da IBJJF.

 

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Com o seu professor Rolker Gracie, que considera um dos melhores praticantes de Jiu-Jitsu de sempre. Foto:GV

 

JJP – Em Novembro fará o seu segundo seminário em Portugal. Como surgiu o interesse no nosso país e o que levou a abrir uma filial Guto Vicente em Lisboa?
GV - Desde criança que tenho um sentimento especial por Portugal, acredito que por causa do meu time de futebol no Brasil, o Vasco da Gama. Além disso o meu representante, o Gui Jardim, é um aluno muito dedicado e transformou-se num grande amigo. Com certeza transformou-se em um associado GVJJA/Lisboa por ser de muita confiança.

 

JJP – Um tema polémico: O que acha da banalização da faixa preta e na sua opinião, o que e necessário para ser um verdadeiro faixa-preta?
GV - Um faixa-preta de verdade é formado após muito tempo de dedicação e perseverança. O verdeiro faixa preta não é formado só na arte, mas também no seu caráter durante a sua disseminação. Com a banalização da faixa-preta perde a arte, perdem os praticantes e o desporto. Iniciativas como as adotadas em Portugal recentemente para a oficialização dos professores faixas-pretas, trazem novas e boas perspectivas para o desenvolvimento do desporto.

 

JJP – Com tanta experiência, que conselho da aos jovens praticantes de Jiu-Jitsu?
GV - Pratiquem Jiu-Jitsu como forma de obter saúde e melhor qualidade de vida, pois isso os ajudará na formação de caráter e socialização. Dedicando-se desta forma, a formação do atleta de competição se esta for a sua vontade, é uma consequência natural. Dediquem-se e sejam disciplinados, “o faixa-preta é um faixa branca que não desistiu”

 

Entrevista por G Oliveira

 

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A tradicional foto de família. Foto:GV