VANESSA PEREIRA EM ENTREVISTA EXCLUSIVA

BANNER_930X120PX

11182088_10205613586912971_6551448581577329066_n

2015 tem sido um ano “brilhante” para a nossa valente compatriota. Foto: Vanessa Pereira

 

 

 

Continuando na senda de divulgar e promover os jovens atletas portugueses, damos agora lugar às senhoras. Talvez devêssemos ter começado por aqui, porque a boa educação manda que ‘primeiro as senhoras’, por isso antes que a Vanessa Pereira me finalize, aqui vão as nossas desculpas. A verdade é que o nosso pequeno país não só produz guerreiros de qualidade em barda, como também os exporta! A viver e a treinar na Suiça, fiquem a conhecer melhor a Atleta Vanessa Pereira.

 

JiuJitsuPortugal – Apresenta-te aos leitores que ainda não te conhecem e conta-nos como o Jiu-Jitsu entrou na tua vida.

 

Vanessa Pereira - O meu nome é Vanessa Pereira, sou portuguesa nascida e criada em Lisboa. Com os meus 18 anos emigrei para a Suíça, onde vivo. Conheci o Jiu-Jitsu em Portugal em 2006 mas na altura jogava rugby e só treinava Jiu-Jitsu de vez em quando, com o professor Patrick antigo aluno do Sandro bala e Júlio Pudim. Treinei uns meses aí, depois emigrei e nunca mais treinei. Aqui perto da minha casa havia uma academia de Jiu-Jitsu por onde eu passava todos os dias, até que um amigo que já treinava me perguntou porque não voltava a treinar e eu respondi que não achava muita piada! (risos) Entretanto aceitei o convite, acabei por ir treinar e como vêm, nunca mais parei! Sou aluna do mestre Robson Dantas, da Kimura-Nova União Suiça desde Agosto de 2013.

 

JJP – De quem partiu a iniciativa de competir? Foi tua, do professor, pressão dos colegas?

 

Vanessa – Foi iniciativa minha. O meu primeiro campeonato de grappling não tinha mulheres inscritas, então fui lutar com os rapazes. Fiz duas lutas e ganhei a categoria, tinha uns dois meses de treino. Daí para cá foi só competir, competir, competir.

 

JJP – Ganhar aos homens não é para todas! A tua academia é mais virada para a competição?

 

Vanessa - O rapaz que ficou em 2º lugar não quis subir ao pódio. Foi embora sem medalha nem nada! Temos muitos competidores na academia e os treinos são virados para essa vertente.

 

JJP – Treinas com muitas meninas/mulheres ou principalmente com homens? Quais os benefícios de treinar com ambos?

 

Vanessa – Aqui na Suiça treino mais com homens. A maioria dos meus colegas são homens, mas também temos meninas muito duras e todas são um bom treino para mim. Mas estou habituada a apanhar muito nos treinos (risos).Gosto de treinar com todos, homens, mulheres, crianças – cada pessoa tem algo de bom para ti e para o teu Jiu-Jitsu.

 

JJP – Como é o Jiu-Jitsu na Suíça? Mais avançado que em Portugal, menos, igual?

 

Vanessa – O nível aqui é muito bom. É um país pequeno mas que começa a ter muito bons atletas. Em relação a Portugal o nível é aproximadamente o mesmo.

 

JJP – Pegando na briga que houve entre a Mackenzie Dern e a Gabi Garcia, o que tens a dizer sobre isso? Como te relacionas com as tuas adversárias?

 

Vanessa – Sobre o problema entre a Mackenzie e a Gabi, acho uma estupidez muito grande para o nosso desporto, é coisa de quem tem mau perder. Mas também digo que não sou a melhor pessoa para falar sobre isso pois só elas sabem o que realmente se passou. Eu normalmente não tenho problemas com adversárias. Gosto de fazer amizades e o que acontece dentre dos tatames não tem nada a ver com o que vivemos fora deles. Tenho muitas amigas que já foram minhas adversárias e com quem até já lutei várias vezes.

 

JJP – Que conselhos darias às meninas e mulheres para começarem a treinar? Ou o que dirias para as motivar a experimentar?

 

Vanessa – O Jiu-Jitsu é um desporto muito bom para o bem-estar físico e mental, além de ajudar a perder peso. É um desporto que ensina a controlar vários sentimentos (raiva, stress, tristeza, etc.). Fazem-se amizades pelo mundo todo e para as mulheres é muito bom saberem defender-se. Nada melhor que o Jiu-Jitsu para a defesa pessoal.

 

JJP – Voltando à tua vertente de competidora, fala-me um pouco da tua rotina de treino e como ela se encaixa no teu dia-a-dia.

 

Vanessa – Eu tenho a sorte de ser patrocinada pelo meu patrão, que também me ajuda muito com os horários. Posso treinar todos os dias e cumprir as minhas horas no trabalho. Neste momento não tenho muita coisa fora do trabalho e do Jiu-Jitsu, os meus dias são sempre trabalho e Jiu-Jitsu.

 

JJP – Isso é óptimo, ainda bem que tens apoios! Sentes que há diferenças na cultura desportiva entre a Suiça e Portugal? Por exemplo, as que seria possível ter os mesmos apoios ou flexibilidade laboral se vivesses cá?

 

Vanessa – Era impossível ter estas ajudas e flexibilidade em Portugal. Por aí ainda não há muito apoio para quem treina.

 

JJP: Além disso, quais as maiores diferenças entre o Jiu-Jitsu de Portugal e da Suiça?

 

Vanessa: Não posso falar muito sobre isso porque tirando no Europeu nunca competi em Portugal. Mas quando treino aí, na BPT, os treinos são 100% organizados e o pessoal disciplinado. Do resto do país já não posso falar porque não sei.

 

JJP – Quem são os teus ídolos no Jiu-Jitsu? Procuras espelhar o teu jogo em alguém em particular ou fazes o teu próprio?

 

Vanessa – Eu tenho o Leandro Ló e a Mackenzie Dern como ídolos. Gosto de atletas que lutam com garra. Há muitos outros de quem gosto, mas identifico-me mais com estes 2. Procuro fazer o meu jogo e saber fazer um pouco de tudo. É o que aprendo com o meu mestre.

 

JJP – E expectativas para ti, no futuro, no mundo do Jiu-Jitsu?

 

Vanessa - A minha expectativa este ano é fazer o que não fiz no ano passado. Tenho algo a provar a mim mesma. No ano passado perdi na primeira luta do mundial e não quero que isso aconteça de novo. Penso nisso todos os dias e treino duro para que tal não se repita. Tenho fé que este ano vai ser diferente mas também tenho os dois pés assentes no chão e sei que não vai ser fácil. É das minhas poucas derrotas, mas foi a que mais me doeu.

 

JJP – O que te passa na cabeça na hora de competir?

 

Vanessa - Eu inscrevo-me para as competições e depois arrependo-me. Vêm os resultados que consigo, mas eu não gosto nada de estar na área de aquecimento e ter que ir lutar. Gosto de dar o meu melhor e de ganhar, mas não gosto daquela pressão. Ninguém dá nada por mim na área de aquecimento, mas quando luto, luto com o coração. Já me disseram que tenho mesmo ar de quem não quer estar ali, de quem está a sofrer. Mas depois dou tudo, não desisto. Mesmo que esteja a perder 100-0 no último segundo, a luta só acaba quando o árbitro levanta a mão. Já ganhei muitas lutas no fim, no Europeu fui campeã a 3 segundos do fim. É a minha vontade de ganhar e de evoluir que me leva até ao fim.

 

JJP – E o que pensas desta nova geração de lutadores portugueses, entre os quais te incluis?

 

Vanessa – Esta geração está a crescer e a crescer muito bem. Os que seguem o Nelton, Paquito, Euclides, só têm a ganhar em Portugal. São exemplos e sei que em Portugal há outros que podem ir muito longe, só faltam oportunidades e meios financeiros.

 

JJP – Por fim, queres deixar um agradecimento ou uma mensagem a alguém?

 

Vanessa – Claro! Quero aproveitar para dar uma palavra a todos os que me seguem, a todos os que me mandam mensagens de apoio, a todos os patrocinadores, ao meu mestre! E ao pessoal com quem treinei no Brasil, é muita gente!

 

Por Hugo Miranda