O PODER DO CAFÉ, POR ADRIANA GRACIE

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Nos últimos dois séculos, poucas substâncias foram tão clinicamente estudadas como o café, sem nenhuma comprovação de que seja prejudicial à saúde. Muitos estudos demonstram o contrário, ou seja, os efeitos benéficos do café e de seu principal composto activo, a cafeína.

 

A cafeína foi isolada pela primeira vez, a partir do café, em 1819 pelo químico alemão Friedlieb Ferdinand Runge o qual a designou por Kaffebase (base que existe no café). Pouco tempo depois, em 1821, os químicos Pierre Jean Robiquet e a dupla Pierre‐Joseph Pelletier e Joseph Bienaimé Caventou, de nacionalidade francesa, isolaram o referido composto de forma autonoma e, aparentemente, sem o conhecimento do trabalho desenvolvido pelos seus pares.

 

O termo cafféine (designação francesa para cafeína) aparece escrito, pela primeira vez, no artigo de Pelletier sobre o assunto em causa. Em 1893‐95 é a vez de mais um químico alemão, Hermann Emil Fischer, inscrever o seu nome na história da cafeína pela descoberta do seu processo de síntese total e determinação da sua fórmula de estrutura. Fischer, considerado o pai da Química Orgânica,foi laureado com o Premio Nobel da Química em 1902.

 

Em 1827 M. Oudry isolou a “teína” a partir do chá e até finais do séc. XIX acreditava‐se que a“teína” era uma substância diferente da cafeína. Foi só no início do séc. XX, devido aos avanços científicos nos métodos laboratoriais, que Muldler e Carl Jobst demostraram que eram a mesma substância. De facto, mudam as concentrações, mas a cafeína é igual quer se encontre no café ou no chá.

 

A fórmula da cafeína é C8H10N4O2 e a sua massa molecular é 198,19 g. As diferentes proporções dos seus constituintes são de 49,48% de Carbono (C), 5,19% de Hidrogênio (H), 28,85% de Nitrogénio (N) e 16,48% de Oxigénio (O). A cafeína está presente, de forma natural, em mais de 60 espécies de plantas amplamente distribuídas pelas diferentes regiões geográficas do planeta terra. Algumas das fontes vegetais mais conhecidas são os grãos de café e de cacau, as folhas de chá verde, as sementes de cola e guaraná e a erva‐mate.

 

A cafeína, proveniente de fontes naturais, tem sido consumida e apreciada desde tempos ancestrais, muito provavelmente desde o paleolítico. Relatos fidedignos referem que a mesma é consumida há vários milénios, pelos chineses, desde o século III a.C.

 

“Os efeitos antioxidantes do café e subprodutos são 500 vezes maior do que aqueles encontrados na vitamina C. Potencial antioxidante de subprodutos do café (borra de café e “coffee silverskin”), muitas vezes são descartados e como eles podem ter usos ou aplicações práticas.”

 

De acordo com uma lenda popular chinesa, o imperador Shennong descobriu acidentalmente que folhas caídas ao acaso em potes de água fervente davam origem a uma bebida perfumada e revigorante ‐ o chá, sendo esta a bebida mais antiga que contém cafeína. Naturalmente que a história do uso da cafeína está fortemente ligada à história do café, principal fonte natural de cafeína. Admite‐se que o café, tal como se conhece nos dias de hoje, seja originário da Etiópia tendo‐se difundido na península arábica e daí para o resto do mundo.

 

Novamente uma lenda popular atribui a sua descoberta a um pastor de cabras, etíope, de nome Kaldi, que percebeu a agitação de alguns animais após terem comido os frutos de um arbusto. Kaldi também quis experimentar os frutos dessa misteriosa planta e foi, imediatamente, invadido por uma euforia naquela noite e dormiu menos que o usual. Na Europa, o café apareceu no século XVI, tendo sido introduzido, principalmente, pelos espanhóis e holandeses, no período dos descobrimentos. Antes disso, o café era consumido de forma restrita e a bebida nobre era o chá.

 

Os efeitos antioxidantes do café e subprodutos são 500 vezes maior do que aqueles encontrados na vitamina C. Potencial antioxidante de subprodutos do café (borra de café e “coffee silverskin”), muitas vezes são descartados e como eles podem ter usos ou aplicações práticas. Professor José Ángel Rufian Henares, da Universidade de Granada, na Espanha, e colegas descobriram que os subprodutos têm potentes propriedades antioxidantes e antimicrobianas e são altamente ricos em fibras e fenóis. Na verdade, as suas descobertas indicam que os efeitos antioxidantes do café são 500 vezes maior do que a vitamina C.

 

Os pesquisadores acreditam que, em vez de serem jogados fora, os subprodutos poderiam ser usados para criar alimentos funcionais com benefícios significativos para a saúde.

 

O café limita calcificação, Yoosoo Chang, de Kangbuk Hospital,na Coréia do Sul, e seus colegas estudaram a ingestão de café entre os 25.138 homens e mulheres coreanas, com idade média de 42 anos, que não tem sinais clínicos de doença cardiovascular. A equipa observou que os participantes que beberam (3 a 5 xícaras de café por dia) tiveram uma pontuação menor de CAC “coronary artery calcium”.

 

Os autores do estudo concluem que: “Nesta grande amostra de homens e mulheres aparentemente livres de doenças cardiovasculares clinicamente evidente, o consumo moderado de café foi associado com uma menor prevalência de aterosclerose coronariana subclínica.”

 

Uma série de estudos sugere que o consumo de café pode reduzir o risco de doenças crónicas, como a diabetes de Tipo 2 e as doenças cardiovasculares. Yongjie Ma, da Universidade da Georgia ,na Georgia, EUA , e colegas exploraram o papel de ácido clorogénico, um composto encontrado em abundância no café, para estes efeitos. A equipa observou que o composto foi eficaz na prevenção do ganho de peso, e também ajudou a manter os níveis normais de açúcar no sangue e composição do fígado saudável.

 

O estudo fornece evidências directas que o ácido clorogénico é um potente composto na prevenção da obesidade induzida por dieta e síndrome metabólica relacionada à obesidade, os autores do estudo afirmam que os resultados sugerem que o consumo de café é benéfico em manutenção da homeostas e metabólica quando em uma dieta rica em gordura.

 

Fontes:
Jiménez-Zamoraa A, Pastorizab S, Rufián-Henaresa JA. Revalorization of coffee by-products. Prebiotic, antimicrobial and antioxidant properties. LWT – Food Science and Technology. 2015;61: 12-18.
Yuni Choi, Yoosoo Chang, Seungho Ryu, Juhee Cho, Sanjay Rampal, Eliseo Guallar, et al. “Coffee consumption and coronary artery calcium in young and middle-aged asymptomatic adults.” Heart, 2 March 2015
Yongjie Ma, Mingming Gao, Dexi Liu.“Chlorogenic Acid Improves High Fat Diet-Induced Hepatic Steatosis and Insulin Resistance in Mice.” Pharmaceutical Research, 24 Sept.2014

 

Adriana Gracie

Professora de Educação Fisica,

Estudante do Curso de Pos-Graduacao da U.G.F

Colunista da Revista Gracie Magazine e Orientadora Nutricional

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