SOBRE AS FÉRIAS, POR HUGO TAVARES

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É verdade e tenho sempre ouvido dizer, inicia-se um período em que fica a ideia de que todos os projectos ou ambições ficam em stand by pela chegada de uns mais acalorados raios de sol, que por sua vez alertam para a mudança de estação. Restando assim aos demais aguardar, pacientemente, por outros ritmos, aproveitando como se pode e se deve.

 

As férias judiciais iniciam-se, as mais prolongadas, de 16 de Julho a 31 de agosto (para os mais curiosos: Lei n.º 62/2013, de 26/08, na sua actual redacção), representando para os profissionais da área – em muitos casos – a suspensão de prazos e a possibilidade de relaxarem os escritos nas agendas jurídicas, essa leal companheira de bancada. Amaina-se o espírito, desenvolve-se trabalho de escritório e sem conceder (típica expressão) passamos ao prognóstico do que as férias reservam, projectando horas em cima da toalha ou do tapete.

 

É curioso. Por regra, planeio surfar até os meus braços implorarem remanso, na tentativa de me vingar dos dias úteis da semana (é que recebo sms de gozo a dizer como está bom o mar) em que a ocupação profissional me abarca, ao longo do ano, quase totalmente – ou não houvesse Jiu-Jitsu – para me deliciar ininterruptamente nesta deleitosa prática que é surfar, aproveitando para estar com quem gosto.

 

O curioso, anunciava eu, é que apesar do bom tempo, da desnudez, da ligeireza do ambiente, o mar não oferece as melhores condições (swell), justamente, acompanhando toda esta envolvência, também “entra de férias”! As marés de Verão, excluindo um ou outro dia épico, não oferecem os fins-de-semana o que os longos Invernos – de forma – consistente apresentam, pelo que, passo muito mais tempo e muitos mais € em busca de ondas que me satisfaçam este egoísmo. Perdoem-me aqueles que me acompanham.

 

Ora, se Jiu-Jitsu é, igualmente, nunca parar de treinar, então o tatame é uma verdadeira “amante” (no sentido figurado do termo e não literal, não comecem a imaginar…), pela forma disponível que nos ouve sem nos julgar e nos recebe sem hora marcada, aceitando que nos deitemos no seu espaço e façamos do lugar o nosso refúgio. É desta forma que trato alguma da irritação pelas marrecas ondas que encontro durante as férias, treinando! Escusando-me a agendamentos para o final do dia para que me seja permitido voltar ao kimono.

 

Se atentarmos, e visto que Portugal é, há quem o diga, = Turismo, especialmente nesta época, existe um factor que não é, de todo, de ser desaproveitado pelos ilustres professores do nosso país: o intercâmbio entre atletas que aproveitam o passeio solarengo em diversas zonas geográficas, para uns treinos de Jiu-Jitsu.
Indiscutivelmente, o crescimento da arte suave trouxe consigo este interessante aspecto, congregando pessoas de todos os estratos e qualquer origem a uma paixão comum que não encontra barreiras em línguas ou ideologias.

 

Ficamos assim com um barómetro do que está a ser feito por cá, na medida em que as experiências, as técnicas, o modo de treino (cargas e intensidade) podem ser, de forma aberta, discutidas com outros Jiu Jitieiros de diferentes origens, sendo que, a percepção, segundo o que oiço e nos é comentado é que as diferenças, se existiam, esbateram-se! Portugal é hoje, igualmente, um epicentro de férias, surf e JIU-JITSU!

 

Oss!

 

Hugo Tavares é licenciado em Direito, Faixa-Preta e escreve regularmente para o JiuJitsuPortugal na coluna “A Direito Pelo Jiu-Jitsu”.