A MACA PERUANA, POR ADRIANA GRACIE

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A maca-peruana (Lepidium peruvianum – Lepidium meyenii) é uma planta medicinal também conhecida como maca-andina, planta-maca, maca-pó, maca-ginseng, peruvian maca (inglês), entre outros nomes populares. Pertence à família das Brassicáceas. Maca é a raiz em pó da planta Lepidium Meyenii.

 

Conhecido por sua capacidade de suportar os níveis de energia saudáveis, a maca tem sido utilizado pelos incas como um tipo de “superalimento inca” há milhares de anos. Maca é o antigo superalimento dos Incas. Também conhecida popularmente como maca andina, maca peruana, peruvian maca, maca lepidium, planta maca, maca powder maca ginseng e maca root, o seu nome científico é Lepidium meyenii.

 

A planta cresce em altitude acima de quatro mil metros na Cordilheira dos Andes, com temperaturas que oscilam entre 20ºC positivos e 25ºC negativos, de acordo com o período e época do ano. Após o plantio, demora de 7 a 9 meses para a colheita. Pertence à família das crucíferas, apresentando talo curto, folhas medindo aproximadamente entre 6 e 9 cm e flores pequenas.

 

Há três tipos diferentes de maca: amarela, preta e vermelha. A sua raiz é facilmente seca ao sol e mantém suas qualidades nutritivas. A raiz é constituída por água (68,7%), carboidratos (23%), lipídios (0,6% – ácido linoleico, palmítico e oleico), fibras, fitoesteróis (antioxidantes que combatem os radicais livres), vitaminas (ácido ascórbico, carotenos, tiamina e riboflavina) e minerais (cálcio, ferro, zinco, selênio e fósforo).

 

Também possui os aminoácidos (mg/g de proteína): 91mg de leucina, 99,4mg de arginina, 54,3mg de lisina, 55,3mg de fenilalanina, 68,3mg de glicina, 63,1mg de alanina, 79,3mg de valina, 47,4mg de isoleucina, 156,5mg de ácido glutâmico, 50,4mg de serina, 91,7mg de ácido aspártico, 21,9mg de histidina, 33,1mg de treonina, 30,6mg de tirosina, 28mg de metionina e 0,5mg de prolina.

 

Pode ser consumida cozida ou transformada em pó para ser adicionada a saladas, sucos, smoothies, vitaminas, frutas e outras preparações. A maca também é popularmente usada na elaboração de uma bebida fermentada doce chamada “maca chica

 

Apesar de possuir ácido palmítico (saturado), as raízes contêm o ácido linolênico (ómega 3). O ácido linolênico é precursor do ácido eicosapentaenóico (EPA) e do ácido docosahexaenóico (DHA). O EPA relaciona-se com a protecção da saúde cardiovascular (efeito vasodilatador, auxiliando na redução da pressão arterial e ainda regularizando as concentrações de colesterol), e o DHA é considerado fundamental para o desenvolvimento cerebral e condução dos impulsos nervosos.

 

Também está presente na raiz o ácido oleico (ómega 9), que auxilia na redução do colesterol LDL e eleva o HDL colesterol. Alguns aminoácidos também auxiliam na prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares: a lisina está envolvida na síntese de L-carnitina (substância que auxilia no controle de dislipidemias); a arginina é precursora do óxido nítrico, substância com efeito vasodilatador, auxiliando na redução da pressão arterial.

 

Fitoquímicos presentes na raiz possuem características semelhantes aos hormónios sexuais (testosterona, estrogénios e prostaglandinas), auxiliando a regular o ciclo menstrual (redução dos fogachos) e disfunções sexuais (exemplos: aumento do desejo sexual em homens e mulheres; maior contagem de espermatozóides e motilidade espermática ao analisar o sémen de homens que consumiram a raiz por quatro meses).

 

Vitaminas contidas na raiz também podem auxiliar: a vitamina E participa da produção de hormónios sexuais; o magnésio e a vitamina B1 favorecem a sinapse (transmissão das informações de um neurónio para outro), causando a sensação de prazer; o selénio participa na produção de espermatozóides; e o zinco estimula a síntese de testosterona e modula a ovulação.

 

A maca preta tem melhores efeitos sobre a contagem de espermatozóides, quando comparada com a amarela que tem efeitos mais moderados. A maca vermelha, contudo, não tem efeitos na produção de esperma, porém demonstrou resultados interessantes na redução do tamanho da próstata.

 

Pesquisadores relatam que os fitoquímicos presentes no tubérculo atuam no hipotálamo e nas glândulas suprarrenais, conferindo-lhes efeitos estimulantes e sendo indicada para combater o cansaço, stress e depressão. Os aminoácidos fenilalanina, tirosina e histidina também contribuem para a síntese de neurotransmissores dopamina e a noradrenalina, responsáveis pela transmissão sináptica propagando impulsos nervosos comportamentais.

 

Como possui carboidratos complexos e vitaminas do complexo B, fornecem energia e disposição ao organismo. Os fitosteróis sitosterol e campesterol auxiliam no fortalecimento da imunidade. A arginina actua na divisão celular e a lisina está relacionada à inibição da proliferação viral. A vitamina C atua na reconstituição dos leucócitos, aumentando a resistência a infecções.

 

Conclusões: Ainda não há um consenso sobre os benefícios da maca peruana, necessitando de estudos com melhores metodologias.

 

Fontes :
Dini A, et al. Food Chem 1994;49:347.
Gonzales C, et al. Forsch Komplementmed 2010;17(3):137-43.
Gonzales GF, et al. J Endocrinol 2003;176:163-8
Sandoval M, et al. Food Chem 2002;79:207-13.
Vecera R, et al. Plant Foods Hum Nutr 2007;62(2):59-63.
Zhang Y, et al. J Ethnopharmacol 2006;105(1-2): 274-9

 

Adriana Gracie

Professora de Educação Fisica,

Estudante do Curso de Pos-Graduacao da U.G.F

Colunista da Revista Gracie Magazine e Orientadora Nutricional

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