O MÉDICO E O MONSTRO: AS DUAS FACES DE UM CARIOCA CASCA-GROSSA

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Rodrigo soltou inúmeras gargalhadas ao longo desta entrevista e durante o treino. “O Monstro” mais simpático do Rio de Janeiro. Foto: JiuJitsuPortugal

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Surfista, médico, guitarrista, lutador de Jiu-Jitsu e alpinista, o carioca Rodrigo Resende é mais conhecido por “The Monster” devido à sua atitude no surf em ondas do tamanho de prédios. Foi vencedor do primeiro Tow-in World Cup, em 2002, quando fazia parceria com Garrett Mcnamara.

 

Surfou uma bomba em Jaws (Havai) que lhe garantiu o título e os 70 mil dólares para dividirem. Rodrigo tem ainda outras vitórias, como o tricampeonato do Big Trip (1999, 2000 e 2001) e o mundial de ondas grandes por equipas em 1998, em Todos os Santos, México.

 

Ter a oportunidade de entrevistar uma lenda do surf mundial como o Rodrigo e de seguida fazer um treino de Jiu-Jitsu com “O Monstro” foi um privilégio, um momento inesquecível e uma realização enquanto editor do site JiuJitsuPortugal ao juntar o melhor de dois mundos: Surf & Jiu-Jitsu.

 

Fica com a entrevista!

 

JiuJitsuPortugal – Como é que o Jiu-Jitsu pode ajudar um surfista de ondas grandes?
Rodrigo Resende – O Jiu-Jitsu ajuda não só no surf de ondas grandes, como no surf em geral. Ondas grandes, médias, pequenas, o Jiu-Jitsu passa-te uma paz, uma confiança…ele é bom não só para o surf, como para qualquer outra coisa na tua vida (risos).

 

JJP – Aqueles “amassos” que levas quando cais numa onda de dimensões muito consideráveis, são comparados com aqueles que levas no tatame?
RR – Depende de com quem estás treinando (risos). Alguns treinos parecem quedas em ondas grandes (risos).

 

JJP – No Havai devido ao localismo, já tiveste que te impor usando o Jiu-Jitsu?
RR – Já, já tive! Algumas vezes…mas não é só no Havai que tem localismo. Aqui no Brasil tem localismo. Portanto em qualquer lugar que vás, o Jiu-Jitsu ajuda-te.

 

JJP – Contaram-nos que estiveste quase a chegar a vias de facto com um havaiano. Verdade?
RR - …tive um Vale-Tudo marcado com um havaiano, sim. Mas acabou por não acontecer. Até acho que foi bom assim, pois hoje sou amigo dele. Respeitamo-nos e conversamos muitas vezes. A ideia foi mais a de promover um evento em que quem ia lucrar era o promotor e para nós lutadores, nada. Assim foi bom não se ter avançado com a ideia e ganhei um amigo.

 

JJP – O Jiu-Jitsu ajudou ou prejudicou a imagem dos brasileiros no Havai?
RR – Ajudou bastante. O Jiu-Jitsu abriu portas. Vários brasileiros foram para lá viver e dar aulas. O Jiu-Jitsu aproximou os dois povos.

 

JJP – Mas existia muita rivalidade Brasil X Havai.
RR – Havia sim. Aliás, ainda tem. Mas o Jiu-Jitsu ajudou bastante a uma aproximação e a diminuir a tensão. Os locais têm mais respeito pelo pessoal que treina e surfa. O primeiro a ensinar Jiu-Jitsu por lá, foi o Relson Gracie.

 

JJP – Como é a “cultura do Jiu-Jitsu” no Havai? O surfista havaiano, pratica Jiu-Jitsu?
RR – Alguns. No North Shore existe a academia do Jeff Doner que fica em Sunset, a do J. Lopes que é faixa-preta do Relson. No lado sul, tem a academia do Relson…existem muitas academias na ilha principal. Este inverno treinei com o Johnny Lopes. O Jiu-Jitsu está bem presente por lá!

 

JJP – Esta ligação surf e Jiu-Jitsu é uma moda?
RR – Tem bastante gente que “pega” onda e treina Jiu-Jitsu. Aqui no Rio isso é normal e acho que esta fusão está a espalhar-se pelo planeta. É uma tendência e tenho a certeza que ainda vai crescer muito.

 

JJP – O surf e o Jiu-Jitsu podem caminhar lado a lado?
RR – Podem sim. Um desporto complementa o outro, não só fisicamente como mentalmente. É muito bom ter a possibilidade de praticar ambos.

 

JJP – Quando viajas levas o kimono na bagagem?
RR – Na maioria das vezes! Normalmente, treinava sem kimono. Mas agora, quero melhorar o meu jogo com o pano.

 

JJP – Tu és médico (Rodrigo é cardiologista). Como é ser médico, Big Rider e praticante de um desporto de combate?
RR – Eu formei-me em medicina, mas uns tempos depois de acabar o curso, deixei a profissão para me dedicar ao surf em ondas grandes. Entretanto, há três anos atrás voltei à medicina e estou a acabar uma pós-graduação em cardiologia. É difícil gerir tudo. Na verdade, fui operado à coluna há três anos e parei de competir em eventos de ondas grandes, daí ter voltado à medicina. Só agora voltei às competições de surf em ondas grandes. Este foi o meu primeiro inverno depois da operação.

 

JJP – Quando pensas ir surfar à Nazaré?
RR – Em primeira mão para Portugal: acho que em Setembro ou Outubro! Estou muito afim de ir lá. Muito curioso de surfar uma das maiores ondas do planeta (Rodrigo solta uma sonora gargalhada, o que foi uma regra durante toda a entrevista. Realmente é um “cara” muito relaxado e boa-onda). Só de ver as fotos, fico com vontade de ir para lá.

 

JJP – O Mcmanara já falou contigo (Rodrigo fez dupla com o Garrett Mcmanara e foram ambos os primeiros campeões do mundo de tow-in, modalidade em que o surfista é rebocado até à onda pelo jetski) sobre o famoso Canhão da Nazaré?
RR – Está farto de falar comigo, de me contar como é a Nazaré. Este ano no Havai, fiquei com o parceiro do Garrett que me contou bastantes coisas sobre o Canhão da Nazaré. Estou com muita, muita vontade de ir para lá. Setembro ou Outubro devo estar por lá. ´

 

JJP – O que conheces do surf português?
RR – Competi na Ericeira em…meu Deus…em 89, 90. Já faz muito tempo e nunca mais voltei. Surfei nos Coxos. Cara, que onda boa! Muito boa. Surfei também uma outra chamada Reef. Só tubos. Foi a onda que mais gostei.

 

JJP – Como é hoje a tua relação com o Garrett Macmanara? Vocês formaram a primeira dupla que foi campeã do mundo de Tow-In. Costumas estar com ele?
RR – Sim, nós fomos campeões em 2002. Até hoje somos amigos. Ele vem para o Brasil, eu vou para o Havai várias vezes…surfamos várias vezes juntos. Até já nos encontramos no Peru. Em Outubro vou estar com ele em Portugal.

 

JJP – Qual o tamanho das ondas nesse evento?
RR – Uns 60 pés (20 metros) ou mais. Sei lá, eu não gosto de medir as ondas (risos). Estava muito grande. Gigante! Eu chamo de Gigantossauro!

 

JJP – Para terminar porque já reparei que queres ir treinar (esta entrevista foi realizada no tatame da equipa GAS JJ localizada nas Laranjeiras/ RJ). Uma mensagem para os nossos leitores?
RR – Continuem surfando e treinando, porque a saúde é importante e é o que importa no final!

 

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