A PRIMEIRA É DE HOMENAGEM, POR HUGO TAVARES

 

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Estava eu imbuído entre preparos laborais, no caso peças processuais e aulas de Jiu-Jitsu (considero que devem sempre ser programadas, justamente, porque o improviso é dote apenas para iluminados e a preparação ajuda, e muito, os alunos), quando recebo a “notificação” de e-mail, com um novo desafio: escrever para a JiuJitsuPortugal.

 

É realmente um desafio. Mas esse é o caminho que o Jiu-Jitsu oferece, seja no tatame, seja na vida, o caminho faz-se caminhando e os desafios enfrentam-se.

 

Ora, o problema são os temas, o público alvo, a antítese lógica de ser lido ao mesmo tempo que serei criticado, e o reconhecimento de que levo ainda pouca bagagem para poder opinar com certezas e sem demagogias sobre a arte-suave que partilhamos, mesmo que, ja tenham passado 9 a 10 anos da primeira vez que resolvi vestir um kimono, em tempos “remotos” com o Professor Lauro Figueiroa numa antiga academia de luta em Algés (para praticar “vale-tudo”), denominada Sport Duo: saudosos tempos.

 

É justo asseverar que tudo mudou, até a dimensão do tatame onde se treina, modernizaram-se meios, infra-estruturas, inter-câmbio de conhecimentos dos professores e o resultado é o esperado: o boom do Jiu-Jitsu, tal como há 15/20 anos se deu o do surf. Claro está, falo do ponto de partida e não onde se chegou, porquanto o surf ganhou a dimensão que sabemos e quero crer o caminho é análogo para a arte-suave, saiba apenas ser feito.

 

Resultado da prática do surf desde os 11 anos, trago à memória que na minha primeira entrevista de trabalho foi-me perguntado “se consumia estupefacientes” pois era a imagem clássica do jovem surfista que passava o dia na praia ao invés de atender às aulas, facto é que não me espantou na altura, estava tão habituado que passados uns anos, numa de muitas orais obrigatórias do 1º ano de Direito, me foi questionado pelo ilustre professor “o Sr. Dr. Estuda Direito ou as ondas?”, ainda antes de sequer abrir a boca. Veja-se como mudou o estigma.

 

Este raciocínio poderia fazê-lo em relação ao Jiu-Jitsu. Veja-se por exemplo quando se deu o Fight for Respect no Pavilhão Atlântico em que eu fui Staff de ringue, e o ambiente que envolvia todo o evento (escuso-me a pormenorizar). Repare-se, presentemente, no ambiente saudável e famíliar que hoje se vive dentro de um pavilhão, reconheça-se, sem peias que o pavilhão que habitualmente alberga o Europeu parece estar a tornar-se uma pequena casa para uma familia tão numerosa. E a quem se deve?

 

A todos os professores. Indubitavelmente a estes, presto-lhes a minha homenagem, seja qual for o seu escudo ou a cor que defendem, aos pioneiros como o Lauro, João, Diogo, Alex, Vita, Pedro, Hélio, Arnaldo, Marcelo, Sandro, Julio, Reinaldo, Neto, Basilio, Peters (é melhor parar de citar pois vou-me esquecer de alguns), a estes enormes do Jiu-Jitsu, o “nosso” (permitam-me a veleidade) Obrigado! Porque antes (e para sempre) de professor, somos todos alunos!

 

OSS!

 

Hugo Tavares é licenciado em Direito, Faixa-Preta e escreve regularmente para o JiuJitsuPortugal na coluna “A Direito Pelo Jiu-Jitsu”.

 

 

  • Nuno

    Quem reconhece por regra é reconhecido! OSS

  • PF

    Excelente Professor,excelente lutador,excelente pessoa,excelente texto :)

  • Alex Felix

    Grande Hugo, você é simplesmente o cara, tenho um grande orgulho e admiração por poder pertencer a sua família, ser teu aluno, aprender com você a difícil trajectória do JiuJitsu, obrigado! Continue assim, sempre humilde, você é fera ! Grandes palavras . Oss