DAS DEZENAS ATÉ AOS MILHARES: A ELITE DO JIU-JITSU MUNDIAL EM PORTUGAL

 

Em mais quantos eventos desportivos, tens as estrelas mundiais a conviverem ao lado do público? Foto: Hugo Miranda/ JJP

Com a primeira edição a realizar-se em 2004, o Campeonato Europeu Open de Jiu-Jitsu completou no passado ano de 2014 uma década. De lá para cá muita coisa mudou, não só no próprio campeonato como no universo do Jiu-Jitsu. De um pequeno evento, realizado para um restrito grupo de praticantes e adeptos, com pouca ou nenhuma divulgação e sem uma estrutura tão sólida quanto nos dias de hoje, o Europeu transformou-se para melhor.

 

O Campeonato é um dos mais importantes do calendário, o número de praticantes e adeptos cresceu exponencialmente, os meios de comunicação – os dedicados à modalidade e não só – são um parceiro indispensável na promoção e a estrutura está cada vez mais profissional e apostada em trazer qualidade a todos os intervenientes.

 

No primeiro campeonato Europeu participaram qualquer coisa como umas largas dezenas de atletas. Em 2015 a IBJJF recebeu perto de 3500 inscrições, um número que tem vindo a aumentar a cada ano que passa, e o campeonato decorre ao longo de 5 dias, algo que num passado recente seria impensável. Independentemente das faixas em competição, o pavilhão está sempre cheio, fervilhando com as emoções das lutas e com a possibilidade de encontrar ídolos, que invariavelmente acedem ao pedido dos fãs para tirar fotos ou conversar um pouco – uma interacção que também torna o Jiu-Jitsu especial.

 

Ser campeão Europeu não é fácil, a elite do Jiu-Jitsu mundial sabe disso e vem com tudo para terras lusitanas!

 

Se no passado o português era a língua dominante entre atletas e espectadores, hoje é muito mais difícil ouvir a língua de Camões quer nas bancadas quer no tatame. Gente de todo o mundo vem a Lisboa para participar. Em tempos ouvia-se muito a pergunta ‘Se isto é Europeu porque é que os brasileiros competem?’, coisa que hoje nem sequer se põe, com atletas dos quatro cantos do mundo em prova. O Europeu é Open!

 

No passado, as maiores figuras presentes em Lisboa eram os pioneiros do Jiu-Jitsu em Portugal e um ou outro atleta que já andava pela Europa. Hoje, vir ao Europeu é para os novos faixas-pretas quase um ritual de passagem à idade adulta e um evento de prestígio para o palmarés. Ser campeão Europeu não é fácil, a elite do Jiu-Jitsu mundial sabe disso e vem com tudo para terras lusitanas!

 

E depois há outras pequenas coisas em que se vê o quanto o ‘nosso’ Europeu cresceu. Há 11 anos, o açaí era consumido quase só por brasileiros e por alguns portugueses mais destemidos que seguiam a moda dos seus professores. Era servido quase em baldes e como ninguém queria era mais do que barato. Hoje, o açaí é consumido por quase todos, é servido em tigelas de dose pediátrica (vá, não são assim tão pequenas) e os preços estão ao nível do que se pratica no resto da Europa, caro para os bolsos portugueses.

 

Os órgãos de comunicação não ligavam patavina ao Europeu e este ano uma grande publicação em papel publicou um artigo sobre o campeonato, além de uma vasta quantidade de publicações online dedicadas exclusivamente ao Jiu-Jitsu e que vêm a Lisboa para acompanhar o evento.

 

Muito mais haveria para dizer sobre o que mudou, o que evoluiu, quer seja por parte do trabalho realizado pela IBJJF – cuja qualidade tem aumentado nos últimos anos – quer seja acerca da qualidade dos atletas que a cada ano que passa se torna mais elevada. A mensagem que queremos passar é a seguinte: O Jiu-Jitsu veio para ficar e vai continuar a crescer!

 

Estimem o nosso Europeu e boa participação a todos!

 

Por Hugo Miranda