ENTREVISTA COM FRANCISCO “TOCO” ALBUQUERQUE

 

graduado por Carlson Gracie, que é um dos cofundadores da prestigiada academia “Nova Geração”.

Graduado por Carlson Gracie, que é um dos cofundadores da prestigiada academia “Nova Geração”. Foto: BJJ Heroes

 

Portugal continua na rota dos grandes mestres da Arte Suave e desta vez foi o Mestre Francisco ‘Toco’ Albuquerque a visitar terras lusitanas, para rever alunos e velhos amigos e também ministrar seminários na Nova Geração e na Carlson Gracie. O site JiuJitsuPortugal teve oportunidade de conversar com o prestigiado professor e ouvir algumas histórias desde os tempos em que era aluno do Mestre Carlson Gracie, passando pela formação da sua academia, até aos dias de hoje. Uma personagem muito acessível e um poço de conhecimento. Vale a pena ler o que tem para dizer.

 

JIUJITSUPORTUGAL – Mestre Toco, fale-nos um pouco de como surgiu a Nova Geração e das suas origens.
Toco - Bom, eu e o meu amigo Rodrigo Medeiros fazíamos a nossa preparação física num ginásio no Leblon e fomos convidados para começar a dar lá aulas de Jiu-Jitsu. Éramos faixas-roxa na época, em Junho de 1993. E assim, com o consentimento do Mestre Carlson Gracie começámos a dar aulas. Foi quando se deu o “boom“ do Jiu-Jitsu, chegámos a ter quase 150 alunos em 30 m2. Foi uma coisa assim meio sem intenção, na verdade o nosso objectivo era conseguir algum dinheiro para continuar a pagar a universidade. Algum tempo depois o Rodrigo mudou-se para os Estados Unidos e eu fiquei até hoje. Temos afiliadas pelo mundo todo, até uma na Madeira aqui em Portugal. É uma grande família.

 

JJP – Houve uma pessoa com muita importância para o Jiu-Jitsu e para a Nova Geração que foi o Pedro Gama Filho, apesar de pouca gente ouvir falar dele, o que nos pode contar sobre ele?
Toco - O Pedro Gama Filho infelizmente já faleceu. Houve uma época em que o Jiu-Jitsu estava com uma imagem muito má, aquelas coisas de ‘pitboy’ e ‘porradeiro’ e assim. E nessa altura o professor Pedro era responsável pelo desporto na Universidade Gama Filho e o que ele fez foi tornar o Jiu-Jitsu como disciplina universitária, valorizando a arte suave. Até então era muito complicado para o Jiu-Jitsu entrar no curriculum escolar. Começou a dar-nos crédito. Vários alunos da Nova Geração formaram-se com bolsas concedidas por ele e são hoje professores de renome. Transformaram a sua vida graças a ele. Para mim é quase um segundo pai, tenho até uma tatuagem – mostra o braço onde se lê ‘Eterno Pedro’.

 

“Fiquei impressionado! A última vez que tive aqui em Portugal foi em 2011 e quando olho agora para alguns atletas de cá, consigo ver que são talentosos. Quando as pessoas são inteligentes facilita. Esta juventude é inteligente e facilita o trabalho dos professores.”

 

JJP – Passando para um tempo mais actual, como observa as novas tendências de posições e regras contrapondo com o seu Jiu-Jitsu que é algo mais ‘básico’ mas muito eficiente?
Toco - Eu não sou nada contra a evolução do Jiu-Jitsu, mas tenho de concordar que uma boa base, com os detalhes bem feitos continua a ser muito eficiente, e isso é evidente por exemplo no Roger Gracie. Não existe uma posição milagrosa, senão não haveria necessidade de variações nas posições. Um Jiu-Jitsu básico com um bom preparo físico faz um atleta muito duro. Como dizia o Mestre Carlson, você tem que saber somar e subtrair para poder fazer equações do segundo grau. Ou seja, tem que aprender o básico antes de aprender tudo o resto.

 

JJP – Seguindo para o MMA, que já não é o Vale-Tudo do antigamente, como vê o Jiu-Jitsu actual a ser aplicado neste desporto?
Toco - Eu posso dar um exemplo do qual sou suspeito para falar que é o Alexandre ‘Pulga’. Ele consegue encaixar aquelas omoplatas como se estivesse a lutar de kimono. Um atleta que tenha as suas técnicas bem apuradas e uma boa condição física vai conseguir conduzir a luta ao ritmo que ele quer para poder aplicar essas mesmas técnicas.

 

JJP – Agora que passou algum tempo aqui pela Europa, que opinião tem do Jiu-Jitsu e da sua evolução no Velho Continente e especificamente em Portugal?

Toco - Fiquei impressionado! A última vez que tive aqui em Portugal foi em 2011 e quando olho agora para alguns atletas de cá, consigo ver que são talentosos. Quando as pessoas são inteligentes facilita. Esta juventude é inteligente e facilita o trabalho dos professores. O Jiu-Jitsu transforma vidas! Vocês em Portugal estão de parabéns, pelo trabalho, pela dedicação e vão colher os frutos desse trabalho.

 

Por Hugo Miranda