GRANDE MESTRE REYSON GRACIE EM ENTREVISTA EXCLUSIVA

 

Reyson Gracie, Luiz Dias e Robson Gracie

Reyson Gracie, Luiz Dias e Robson Gracie. Apostamos que querias ouvir as histórias que estes três têm para contar.

 

 

Reyson Gracie é o terceiro filho do criador do BJJ Carlos Gracie e é um dos poucos homens vivos que se tornaram faixa vermelha 9º (nono grau) na arte marcial da família. Reyson é considerado o fundador do Jiu-Jitsu no estado do Amazonas, um estado que se tornou uma das colmeias mais importantes do Brasil e do mundo para o Jiu-Jitsu.

 

Ele também teve um grande impacto no desenvolvimento do Jiu-Jitsu no estado da Bahia. Reyson Gracie também ajudou a desenvolver o Jiu-Jitsu no estado da Bahia, onde viveu depois de um convite do seu sobrinho Charles Gracie para o ajudar a divulgar o desporto por lá. Reyson tornou-se o presidente da federação da Bahia, em 1997.

 

Conhecido por ser resistente a entrevistas, o Grande Mestre Reyson Gracie acedeu a falar em exclusivo para os leitores do site JiuJitsuPortugal. Não deixamos fugir a oportunidade e fomos ouvir o que este influente e importante Grande Mestre tem para dizer sobre o estado do Jiu-Jitsu.

 

JIUJITSUPORTUGAL- Grande Mestre Reyson, o Jiu-Jitsu é para muitos mais que uma arte marcial; é uma filosofia de vida. Como o senhor vê essa paixão que motiva tantos praticantes?
REYSON GRACIE - O Jiu-Jitsu, à medida que dá maior autoconfiança ao indivíduo, elevando sua auto-estima, contribuindo de forma decisiva na formação da personalidade e do carácter do mesmo, tem seus resultados comprovados pela melhoria da qualidade de vida, tanto no lar quanto na sociedade. E isso vira motivo de interesse para professores e educadores.

 

JJP – Para o senhor, qual a diferença entre o Jiu-Jitsu actual do Jiu-Jitsu tradicional “old school” ?
RG - Hoje em dia existe um enorme interesse, principalmente da juventude, pela prática competitiva que proporciona títulos, fama, holofotes, grandes viagens internacionais, etc, coisas que no passado eram quase impossíveis. Mas tudo tem o seu prazo de validade. A carreira de competidor não tem duração eterna. Chegará o dia em que ele amadurecerá e trocará o Jiu-Jitsu competitivo para o Jiu-Jitsu agregador social e tradicional.

 

JJP – Defina o Jiu-Jitsu em uma frase.
RG - A arte de vencer cedendo, a arte do virtuoso e a flexibilidade combativa.

 

JJP – A Defesa Pessoal hoje em dia é ensinada em poucas academias. Qual a sua opinião sobre este tema?
RG - Isso acontece em razão do interesse maior estar voltado para o lado competitivo. Vamos então prestigiar as academias que estão mais direccionadas para o ensino do Jiu-Jitsu com enfoque pedagógico e educacional.

 

“Tenham o Jiu-Jitsu como mais um meio de auto-aperfeiçoamento e busca de autoconhecimento. Qualquer tipo de exacerbação ou fanatismo deve ser mantido à distância”, GM Reyson Gracie

 

JJP – O senhor acompanha o MMA actualmente? Porquê?
RG - Para falar a verdade, já não assisto como antigamente. A não ser quando se trata de um combate de grande importância que compense perder madrugada de sono.

 

JJP – Dos primórdios do Vale-tudo aos dias de hoje no MMA, como vê o desempenho dos lutadores de Jiu-Jitsu?
RG - A regulamentação actual do MMA está priorizando a luta de trocação de golpes traumáticos com maior movimentação, evitando momentos de monotonia que possam ocasionar desinteresse por parte do espectador.
Além disso, os lutadores de outras modalidades hoje praticam Jiu-Jitsu e volta-e-meia, você vê lutadores do próprio Jiu-Jitsu sendo finalizados tecnicamente por gente de fora. Isto é sinal que o Jiu-Jitsu invadiu o mundo, algo que não acontecia no passado.

 

JJP – O que recomendaria hoje aos lutadores de Jiu-Jitsu da actualidade para o próprio aprimoramento da arte marcial?
RG - Procurar sempre professores sérios e qualificados que estejam à serviço do bem.

 

JJP – Quer deixar uma mensagem para os praticantes de Jiu-Jitsu e os leitores do site JiuJitsuPortugal?
RG - Tenham o Jiu-Jitsu como mais um meio de auto-aperfeiçoamento e busca de autoconhecimento. Qualquer tipo de exacerbação ou fanatismo deve ser mantido à distância.

 

Por Luiz Dias