ENTREVISTA COM LUCA ATALLA, CEO E DIRECTOR DE REDACÇÃO DA REVISTA GRACIEMAG

Luca Atalla (JiuJitsuPortugal.com)

Luca Atalla, CEO e Diretor de Redacção da revista GRACIEMAG.   Foto: arquivo pessoal

 

Para muitos de nós portugueses, a GRACIEMAG é a revista de eleição sobre o mundo do Jiu-Jitsu. É lá que ficamos a saber em primeira mão os resultados dos campeonatos, o que andam a fazer os tops mundiais ou as receitas para a alimentação do lutador. Fugimos ao padrão de entrevistar um atleta ou professor e fomos sim, conversar com alguém que tem uma visão global, apaixonada do Jiu-Jitsu e que acompanhou bem de perto o crescimento deste fantástico estilo de vida nestes últimos 20 anos.

 

JiuJitsuPortugal- Como surgiu a Revista Gracie Magazine?
Luca Atalla - A ideia inicial, de um jornal gratuito a ser distribuído nas academias, lojas, restaurantes, casas de suco e shopping centers foi do Carlos Gracie Jr. Ele queria que o Jiu-Jitsu tivesse seu próprio veículo e não dependesse da divulgação da mídia tradicional. Ele me convidou para tocar o projecto em 1994, e o negócio evoluiu para em Julho de 1996 lançarmos a primeira edição de Gracie Magazine nas bancas brasileiras. Em 2006 conseguimos levar a revista para os Estados Unidos.

JJP – Quais são as maiores dificuldades em fazer uma revista de Jiu-Jitsu?
LA - Uma coisa que o empreendedorismo ensina é que qualquer dificuldade é, de facto, uma oportunidade. Quando eu leio esta palavra, automaticamente substituo para oportunidade.
São muitas dificuldades. A indústria do Jiu-Jitsu é pequena, e a dos veículos impressos (imprensa), decadente. Estamos na intersecção destas duas dificuldades. O que te obriga a ser mais criativo e estar sempre inovando.
Como dizem os meus amigos que tocam a agência de turismo online “Hotel Urbano”, se fosse fácil, qualquer um faria. Quanto mais difícil, maior a barreira de entrada para os concorrentes, certo?

JJP – Na tua opinião, pensas que o formato em papel vai acabar?
LA - Não tão cedo. Mas trabalhar neste ramo significa resolver uma equação de vários termos, não dá para resolver uma equação ignorando um dos termos, e o veículo em papel é um destes termos.

JJP- As vossas vendas são maiores nos EUA ou no Brasil?
LA - No Brasil, ainda. Estamos há pouco tempo nos EUA, e fazendo o mesmo que fizemos durante anos até a coisa pegar no Brasil, construindo a indústria.

 

“… a demonstração de força que é o campeonato Europeu de Jiu-Jitsu, que acontece anualmente em Portugal e que na minha opinião, é o verdadeiro Mundial, pela distribuição mais homogénea dos países participantes. Pelo que me parece, o Jiu-Jitsu português tem o vento soprando na popa das caravelas.”

 

JJP – Recebem pedidos (e pressões) de atletas para que publiquem fotos deles e na tua opinião, eles trabalham bem a imagem junto dos mídia?
LA - Esta pressão é parte do trabalho. Nós treinamos Jiu-Jitsu para lidar com as pressões do mundo, e ao trabalhar no cerne do Jiu-Jitsu, é natural ter bastante tensão e pressão. Quem não estiver pronto para isso, não pode ocupar esta posição.
O universo, em geral, gira em torno de cada um, e é natural o atleta achar que ele merece. A principal estrela de qualquer campeonato é o participante. Ele considera que a história dele na competição é mais importante do que a de centenas de outras pessoas. Mas é claro, ele é o sujeito! Enfim, é parte do jogo o atleta reivindicar. E sim, eles usam cada vez mais a imagem deles, especialmente nas mídias sociais, alguns deles dão show, como por exemplo André Galvão, Bráulio Estima, os irmãos Mendes, etc.

JJP – Como vês o Jiu-Jitsu na actualidade? Uma arte marcial ou um lifestyle?
LA - Os dois. A arte marcial está dentro do lifestyle.

JJP – Chegam-vos notícias do Jiu-Jitsu português?
LA - Sim, e a mais significante delas é a demonstração de força que é o campeonato Europeu de Jiu-Jitsu, que acontece anualmente em Portugal e que na minha opinião, é o verdadeiro Mundial, pela distribuição mais homogénea dos países participantes. Pelo que me parece, o Jiu-Jitsu português tem o vento soprando na popa das caravelas.

JJP – Para quando uma matéria sobre Portugal?
LA - No momento estou afastado da parte de edição dos veículos de GracieMag, mas vou reivindicar junto ao Marcelo Dunlop e o Raphael Nogueira, acho que está mais do que na hora.

JJP – Queres deixar uma mensagem para a comunidade do Jiu-Jitsu portuguesa?
LA - Quero abraçá-la como parte da comunidade mundial do Jiu-Jitsu. Afinal, o Jiu-Jitsu não tem fronteiras, e Portugal está de parabéns ao ajudar tanto esta arte a chegar em cada vez mais pessoas no mundo inteiro.